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Política Banco Master: se todo mundo é culpado, ninguém é culpado no final

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Quanto maior a confusão, melhor para Vorcaro.

Foto: Divulgação/Master
Quanto maior a confusão, melhor para Vorcaro. (Foto: Divulgação/Master)

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro explora dois caminhos para tentar reverter na Justiça o processo contra ele envolvendo o Banco Master. De um lado, tumultua o caso perante a opinião pública, envolvendo políticos, autoridades e, especialmente, o Banco Central, para causar a impressão de que todos os personagens cometeram deslizes na história. Quanto maior a confusão, melhor para Vorcaro.

Por outro, vai usar as diligências feitas pelo Tribunal de Conta da União (TCU) e as provas que não serão arquivadas pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para encontrar qualquer tipo de brecha que possa ser usada tecnicamente contra o Banco Central.

Toffoli, é sempre bom lembrar, convocou o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, para depor, como se fosse um investigado do caso, e só na última hora voltou atrás na convocação para que ele passasse por uma acareação com Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

Pessoas que acompanham o caso de perto também acham que não é mera coincidência que, nos dias seguintes em que Vorcaro foi criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenham vazado para a imprensa informações de que banqueiro esteve com o presidente Lula no Palácio do Planalto e que o ex-ministro Guido Mantega recebeu recursos do banco, assim como o ex-ministro da Justiça e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski.

Outros casos que chamaram a atenção desses interlocutores são um suposto envio de mensagem pelo diretor do banco Central Ailton de Aquino sugerindo a compra pelo BRB de carteiras fraudadas pelo Master e a ida de Alexandre de Moraes à mansão de Vorcaro para “fumar charuto”. A visão é de que há as digitais da defesa do banqueiro por trás do vazamento dessas e outras “informações”.

Também existe a desconfiança de que influenciadores foram pagos para sair em defesa do Banco Master nas redes sociais e para realizar ataques contra o Banco Central e autoridades que contrariaram interesses de Vorcaro. A PF identificou ataques orquestrados no final do ano passado, com muitos influenciadores que não têm qualquer relação com o sistema financeiro.

O objetivo, em primeiro lugar, seria afastar a possibilidade de ser preso novamente. Em segundo, não ter os seus bens bloqueados. Assim, mesmo que não volte a ter o banco operando novamente, hipótese praticamente impossível do ponto de vista prático, ele seguiria livre para usufruir de sua fortuna. A lógica do banqueiro para tentar sair livre é: se todo mundo é culpado, ninguém é culpado no final. (Alvaro Gribel/Agência Estado)

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