Sábado, 14 de fevereiro de 2026
Por Renato Zimmermann | 10 de fevereiro de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O Brasil lançou o Plano Clima em novembro de 2025, em um ato promovido após a realização da COP30 em Belém. O documento estabelece metas para reduzir entre 59% e 67% das emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, tomando como referência o ano de 2005. Em termos práticos, isso significa cortar quase dois terços das emissões atuais, passando de cerca de 2,04 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2022 para algo entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas em 2035.
O lançamento após a COP30 foi estratégico: o Brasil havia se colocado como anfitrião e protagonista da conferência, e precisava mostrar ao mundo que o discurso de liderança climática teria continuidade em políticas concretas. O Plano Clima traduz em política pública a nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) submetida ao Acordo de Paris, reafirmando o compromisso com a meta global de limitar o aquecimento a 1,5°C.
A estrutura do plano se divide em duas frentes. A primeira é a mitigação, com oito planos setoriais que abrangem agricultura, energia, transportes, indústria, resíduos, uso do solo, cidades e terras públicas. A segunda é a adaptação, voltada para aumentar a resiliência diante de eventos extremos como secas e enchentes. Essa abordagem busca integrar setores estratégicos e oferecer um quadro que pode orientar investimentos privados e públicos de forma mais coerente.
A relação com a transição energética é central. O Brasil já possui uma matriz elétrica majoritariamente renovável, mas o Plano Clima reforça a necessidade de diversificar e acelerar novas frentes. Entre elas está a geração distribuída, modelo em que consumidores produzem sua própria energia – por exemplo, com painéis solares em residências ou pequenas empresas – e podem compartilhar ou vender o excedente. Esse sistema democratiza o acesso à energia limpa, gera milhares de novos empregos e abre espaço para negócios locais, fortalecendo economias regionais.
Outras frentes estratégicas incluem o biogás, produzido a partir de resíduos orgânicos e capaz de substituir combustíveis fósseis em indústrias e transportes; os combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), que reduzem a pegada de carbono do setor aéreo; a biomassa, que aproveita resíduos agrícolas e florestais para geração de energia; e o hidrogênio verde, considerado vetor essencial para descarbonizar setores pesados como siderurgia e transporte marítimo. A pauta também envolve a economia circular, que busca reduzir desperdícios e reaproveitar materiais, e a expansão do carro elétrico, que já começa a ganhar escala no Brasil e pode transformar a mobilidade urbana.
Do ponto de vista ético e filosófico, o Plano Clima reafirma que a pauta ambiental não tem viés ideológico. Não é de esquerda nem de direita, não pertence a um sistema econômico específico. É uma questão de sobrevivência e de responsabilidade compartilhada. O autor deste artigo sempre observa em sua produção de conteúdo que a mensagem precisa ser entregue a todos, sem barreiras ideológicas, porque o planeta não distingue crenças políticas quando cobra a fatura dos impactos ambientais.
O desafio agora é transformar ambição em execução. O Brasil precisa mostrar que não apenas anuncia metas, mas que as cumpre. A reputação climática não se ajusta depois: ela se constrói com resultados concretos. A COP30 foi um momento de afirmação, mas o verdadeiro teste será nos próximos anos, quando o cronograma encontrar a realidade.
Questões climáticas não são abstratas. Elas já estão presentes na vida das pessoas de forma direta: na conta de energia, no preço dos alimentos, na saúde física e mental, nas relações de trabalho e na frequência de enchentes e secas. O Plano Clima é um passo importante, mas só terá valor real se for acompanhado de ação consistente. O futuro não reage a discursos; ele exige prática. E a prática, neste caso, é a transição energética como motor de desenvolvimento e a ética ambiental como compromisso universal.

* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética (rena.zimm@gmail.com)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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