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Colunistas O maior número não é de perdedores. É de desistentes

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Seguir em frente quando dá vontade de sair não é heroísmo. É maturidade estratégica. (Foto: Imagem gerada por IA)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

No início da minha carreira empreendedora, logo no primeiro obstáculo real, eu pensei em desistir. Interpretei a dificuldade como um sinal de que talvez aquele caminho não fosse para mim. Foi nesse momento que escutei uma frase que nunca mais saiu da minha cabeça: o maior número não é de perdedores. É de desistentes.

Essa frase muda o enquadramento do fracasso. Perder faz parte de qualquer processo sério. Desistir é uma decisão. E, na maioria das vezes, tomada cedo demais.

Ao estudar o trabalho de Patrick Mouratoglou, treinador que conduziu uma das fases mais marcantes da carreira de Serena Williams, uma das maiores tenistas da história, alguns pontos chamam atenção. Serena conquistou 23 títulos de Grand Slam em simples e construiu um domínio que atravessou gerações no tênis mundial. Ainda assim, o foco do trabalho de Mouratoglou nunca foi apenas técnica. Ele se aprofundou na mente, na identidade e nos padrões emocionais de atletas extremamente talentosos.

O que ele identificou é desconfortável, mas revelador. Muitos atletas não travavam quando estavam perdendo, mas quando estavam perto de ganhar. O medo real não era o fracasso. Era a vitória. Eles não estavam emocionalmente preparados para a identidade que vencer exigia. Quando o sucesso começava a se concretizar, o cérebro criava uma saída. A autossabotagem surgia não como fraqueza, mas como autoproteção.

Crenças antigas apareciam. Como assim eu vou vencer? Como assim eu vou ser melhor do que meus pais? Como assim eu vou ultrapassar o ambiente de onde eu vim?

A estratégia dele não era motivar. Era tornar o medo consciente. Fazer perguntas difíceis: O que muda se você ganhar? Quem você precisa se tornar? O que você vai perder? Quem vai esperar mais de você? O que você não poderá mais fazer?

Outro ponto central era o foco no processo. O atleta não entra em quadra para ganhar. Entra para executar um plano claro de ações. Quando o objetivo é vencer, a pressão explode. Quando o objetivo é executar, a mente relaxa. As metas continuam existindo, mas deixam de ser o centro durante a execução. Quando a vitória sai do foco, a necessidade de sabotagem diminui.

Essa lógica muda a leitura do esporte. E muda, de forma profunda, a leitura do empreendedorismo.

Muitas pessoas dizem querer crescer, faturar mais, expandir. Mas não investigam o que essa vitória vai exigir emocionalmente depois. A sabotagem não aparece quando a decisão de crescer é tomada. Ela aparece quando o crescimento começa a dar certo.

Isso aconteceu comigo. No mês de maior faturamento da minha trajetória empreendedora, após alcançar um número que até então parecia inimaginável, os meses seguintes foram de queda. Não por falta de mercado ou capacidade, mas por autossabotagem. Eu ainda não estava emocionalmente ajustada àquela nova identidade.

E isso não acontece apenas nos negócios. A desistência atravessa praticamente todas as áreas da vida. No Brasil, mais da metade das pessoas que iniciam uma graduação não concluem o curso, inclusive em universidades públicas. Nos relacionamentos, a proporção de divórcios se aproxima da metade dos casamentos registrados. Não se trata de julgar escolhas, mas de reconhecer um padrão. Sustentar processos longos exige maturidade emocional.

Ao longo de mais de 13 anos empreendendo, trabalhando com pessoas, negócios e comigo mesma, e após inúmeras imersões e mentorias em inteligência emocional, identifiquei um ponto em comum. A desistência raramente está ligada à falta de inteligência ou talento. O que pesa é a dificuldade de sustentar a expansão da própria identidade quando a vida começa a exigir mais estrutura, mais coerência e mais responsabilidade.

Tive contato direto com centenas de empreendedores, inclusive como presidente da Associação dos Jovens Empresários de Porto Alegre ( AJE Poa) . Jovens de idade e jovens no empreender. Em todos os perfis, o desafio não estava na capacidade, mas na maturidade emocional para sustentar o próximo nível.

Seguir em frente quando dá vontade de sair não é heroísmo. É maturidade estratégica.

As pessoas acreditam que estão sabotando o fracasso. Na verdade, estão sabotando a própria expansão. E a sabotagem quase nunca aparece quando você decide crescer. Ela aparece quando o crescimento começa a dar certo.

Nos negócios, primeiro você planta caráter, disciplina e identidade. O resultado vem depois, como consequência.

* Suellen Ribeiro – empresária, mentora de posicionamento de marca pessoal, palestrante e apresentadora do Jornal da Pampa, do Grupo Rede Pampa. (Instagram: @SuRibeiroC)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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