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Brasil Em desabafo a prefeitos, Dilma protesta contra situação de Lula

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Depois do desabafo e dos esclarecimentos, Dilma disse que a única alternativa que tem para superar a crise econômica é aprovar a recriação da CPMF. (foto: reprodução)

Em tom de desabafo, a presidente Dilma Rousseff abriu a reunião com prefeitos para tratar da crise econômica, lamentando a condução coercitiva do ex-presidente Lula pela PF (Polícia Federal), na manhã desta sexta-feira (4). A um grupo de cerca de 40 prefeitos, Dilma disse que a Operação Lava Jato está “fugindo da normalidade democrática” e que lamenta o que está acontecendo. Segundo relato feito pelo prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), Dilma disse que a ação foi exagerada e que estava protestando sobre o depoimento forçado do ex-presidente.

“Ela fez uma avaliação inicial sobre o momento. Protestou, acha que as coisas estão fugindo da normalidade do estado democrático de direito e lamentou que isso esteja acontecendo. A presidente deixou isso muito claro”, disse Fortunati.

Aos prefeitos, Dilma disse que Lula nunca se negou a depor e que estava claramente insatisfeita com a PF. “Ela acha que é exagerado, que o presidente Lula nunca se negou a depor, sempre usou os mecanismos legais, sempre foi ao Poder Judiciário. Obviamente, ela entende que houve um exagero nessa condução forçada do presidente Lula. Mostrou sua insatisfação com essa situação”, afirmou o prefeito pedetista, que é amigo de Dilma.

Durante a reunião, Dilma fez esclarecimentos aos prefeitos sobre as denúncias relacionadas à delação premiada feita pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Dilma disse que os dados relacionados a ela não são relevantes. Ela não citou em nenhum momento o nome de Delcídio, chamando-o de “delator premiado” o tempo inteiro. Dilma declarou que o governo “não foi feito para tirar ninguém da prisão”.

Segundo relatos dos prefeitos, apesar da crise política profunda que vive o governo, a presidenta estava bem. “Até me surpreendi”, disse um dos participantes.

Depois do desabafo e dos esclarecimentos, Dilma disse que a única alternativa que tem para superar a crise econômica é aprovar a recriação da CPMF. Não houve apoio automático dos prefeitos, que irão discutir o tema, sem compromisso de que aceitarão a proposta.

A presidenta afirmou que prefere a CPMF por se tratar de uma “saída federativa” para a crise. Dilma argumentou que, se o tributo não for aprovado, terá de ser “cada um por si”. A presidente fixou um prazo até março para haver avanços concretos na negociação da contribuição. (AG)

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