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Colunistas Qual a estratégia de Trump para não perder o controle da Câmara e Senado em novembro?

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A popularidade de Donald Trump não está em alta e, algumas pesquisas realizadas quando completou um ano no poder, acenderam a luz vermelha no partido republicano. (Foto: Molly Riley/The White House)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

“Eu vou sofrer impeachment”.

Declaração estranha partindo de quem, há pouco mais de um ano, venceu a eleição não só no colégio eleitoral, mas também no voto popular, de forma inquestionável. Além disso, conseguiu maioria na Câmara e no Senado, impondo derrota contundente à oposição democrata e mantendo maioria conservadora na Suprema Corte.

Esta declaração de Donald Trump ocorreu no início do ano a parlamentares republicanos em Washington. Nos Estados Unidos, temos eleições de meio de mandato (a cada dois anos) para renovar a Câmara dos Deputados e, em alguns casos, o Senado. Salvo algumas exceções, o mandato de deputado é de dois anos e o de senador é de seis anos, ou seja, o Presidente, que é eleito para quatro anos, pode perder a maioria após dois anos de sua eleição. Complicado, né?

O sistema eleitoral estadunidense é bem complexo, antiquado e, ultimamente, muito questionado até pelos partidos. A maioria ora existente nas duas Casas garante ao Presidente o respaldo para adoção de medidas duras e polêmicas, que certamente não passariam com a oposição tendo maioria ou, na melhor das hipóteses, teriam custos políticos enormes para a administração.

Em que pese o partido democrata ter sofrido derrota muito pior que a esperada nas eleições de novembro de 2.024, em algumas eleições pontuais de 2.025 o partido tem apresentado vitórias animadoras e até o governador da Califórnia, Gavin Newsom, tem despontado como possível líder capaz de enfrentar o Presidente.

A popularidade de Donald Trump não está em alta e, algumas pesquisas realizadas quando completou um ano no poder, acenderam a luz vermelha no partido republicano. Apenas para não esquecer, o atual Presidente não pode disputar a reeleição em 2028. A Constituição dos Estados Unidos estipula que só se pode ser Presidente em dois mandatos, consecutivos ou não, ou seja, só uma reeleição, marca já alcançada por Donald Trump.

Ele pode não estar tão preocupado com a próxima eleição presidencial, mas o partido republicano, sim. O jeito Trump de governar encontra sérias dificuldades quando tem que negociar com a oposição e passar os últimos dois anos do mandato dependendo da anuência do partido democrata em muitos assuntos relevantes seria extremamente desgastante e poderia colocar em risco a eleição de outro republicano.

Comparada à fraca e confusa administração anterior de Joe Biden (2020/2024), a atual tem apresentado melhorias em vários aspectos. A inflação voltou a cair, a Bolsa de Valores apresenta bons resultados, a geração de emprego mostra robustez, praticamente tem-se o pleno emprego, a confiança do consumidor aumentou e o controle da imigração ilegal, em que pese alguns exageros, mostrou-se eficaz.

A dívida interna continua a subir, como vem acontecendo nos últimos 40 anos, independentemente do partido que está no poder. Todavia, muitas medidas adotadas por Donald Trump provocam reações fortes de muitos setores da sociedade e as consequências políticas são enormes.

O eleitorado trumpista parece não se preocupar, mas nem só destes eleitores depende a eleição. Trump e o partido republicano sabem disso. A primeira resposta foi a troca do comando da ICE (Polícia da Imigração) após as duas mortes de cidadãos americanos no estado de Minnesota.

Os protestos populares ganharam força e “incêndio” precisa ser apagado. O caso Epstein, em que a oposição aposta muito, acabou por também respingar em figuras poderosas do partido democrata e, até agora, os possíveis danos a Donald Trump parecem controlados.

Em alguns distritos eleitorais que elegem os delegados do colégio eleitoral, os republicanos têm conseguido alterações legais importantes que visam manter e aumentar a influência. As pretendidas alterações na geopolítica iniciadas por Donald Trump, tais como a retirada de Maduro do poder, ataques ao sistema nuclear iraniano, estado de alerta contra Cuba e Colômbia, fortalecimento no posicionamento estadunidense nas Américas e melhor reciprocidade tarifária, podem dar as respostas que Trump deseja dos eleitores estadunidenses.

O crescimento econômico, com a redução do preço do petróleo, balança comercial mais favorável e redução da inflação, pode dar retorno nas eleições de novembro. Baixa nos custos de medicamentos e planos de saúde também estão na pauta para os próximos meses. Provavelmente, ações letais da polícia da imigração devem ser coibidas.

A administração dos últimos dois anos e a possível eleição de outro republicano vão depender das decisões dos próximos meses.

* Dennis Munhoz é jornalista e advogado, foi Presidente da TV Record e Superintendente da Rede TV, atualmente atua como correspondente internacional, Vice-Presidente da Associação Paulista de Imprensa, apresentador e jornalista da Rede Mundial e Rede Pampa nos Estados Unidos.

 

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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