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Colunistas Nem todo mundo quer pular: a pressão para ser feliz no Carnaval e o perigo da “felicidade tóxica”

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Vivemos em uma era de holofotes permanentes

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Vivemos em uma era de holofotes permanentes. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Em meio a festas, fantasias e redes sociais lotadas de sorrisos, cresce a sensação de que não transbordar felicidade é sinônimo de que algo está errado. Mas a psicologia alerta: momentos de calmaria são também importantes, inclusive necessários em momentos da vida.

Carnaval, para muitos, é sinônimo de alegria, música alta, encontros e excessos. Mas, para outros, pode ser também um período de se conectar à necessidade de serenar, reconhecendo o cansaço e a saturação que pedem silêncio. O problema é que, em uma cultura que valoriza a alegria constante, admitir isso parece cada vez mais difícil.

Vivemos em uma era de holofotes permanentes. As redes sociais funcionam como vitrines de felicidade, especialmente em datas festivas. Viagens, blocos lotados, fantasias criativas e corpos sarados e sorridentes ocupam as telas e criam a sensação de que existe um jeito “certo” de viver o Carnaval.

Esse cenário alimenta o que especialistas chamam de “felicidade tóxica”, acompanhada da ideia de que precisamos estar bem o tempo todo. Existe uma pressão social muito grande para se sentir sempre feliz, animado e produtivo. No Carnaval, isso se intensifica porque a mensagem é clara: “é proibido não aproveitar”. Só que ninguém consegue sustentar alegria o tempo inteiro.

A obrigação de estar bem

Esse excesso de positividade pode gerar culpa e isolamento em quem não está se sentindo bem. Em vez de acolher o próprio momento, reconhecendo a sua necessidade, a pessoa passa a se comparar e a se cobrar. As pessoas estão com vergonha de dizer que estão tristes. Parece que a tristeza virou sinal de fracasso pessoal, quando, na verdade, ela é uma emoção humana básica e necessária. E ela que nos possibilita reconhecer inclusive nossa necessidade, ajudando a dimensionar nossas prioridades na vida.

A chamada felicidade tóxica não nega apenas a tristeza, ela invalida qualquer emoção considerada “negativa”, como frustração, medo, raiva ou cansaço. O resultado é um sofrimento emocional silencioso e imensamente danoso.

A importância de não estar feliz o tempo todo

Do ponto de vista psicológico, a tristeza tem função. Ela ajuda na elaboração de perdas, no autoconhecimento e na construção de resiliência. A verdade é que ela nos fortalece. É nos momentos de desconforto que a gente para, reflete, reorganiza a vida por dentro. Quando a pessoa tenta fugir disso o tempo todo, ela perde a chance de se conhecer melhor e de amadurecer emocionalmente. Isso não significa valorizar o sofrimento, mas, sim, permitir que todas as emoções tenham espaço. A busca por uma felicidade constante e performática pode afastar a pessoa de suas necessidades reais.

Carnaval também pode ser descanso

Nem todo mundo quer multidão, barulho e programação intensa. Para algumas pessoas, o feriado pode ser uma oportunidade de desacelerar, se recolher ou simplesmente não fazer nada. Cada um tem seu jeito de recarregar energia. Para alguns, é no meio do bloco; para outros, é no silêncio de casa. Respeitar isso é um ato de carinho consigo mesmo e de promoção de saúde mental.

Do que eu realmente preciso agora?

No fim das contas, a verdadeira liberdade do Carnaval não está apenas em vestir uma fantasia, mas em poder ser quem se é. E isso inclui ouvir-se e respeitar as suas vontades na construção da mais autêntica e verdadeira felicidade.

* Luciana Deretti, psicóloga psicanalista, autora do best-seller “Invencível – A felicidade como uma escolha inegociável”

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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