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Brasil Por que o Brasil não consegue combater o mosquito da dengue?

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. (Foto: Reprodução)

Casos de dengue, chikungunya e zika, vírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti, aumentam no País a cada ano, apesar das inúmeras campanhas de conscientização e mutirões de combate a focos. Em 2015, mais de 1,5 milhão de pessoas foram infectadas com um dos três vírus no Brasil.

O Aedes aegypti é um inimigo cada dia mais difícil de combater. Ele não é mais aquele mosquito de que você ouve falar há anos: está mais poderoso, mais perigoso, mais temido.

Por que isso acontece? Por uma série de fatores, cujo culpado está longe de ser o mosquito. O acúmulo de água parada em recipientes e no lixo somados ao clima tropical favorável fazem o problema ser tanto do governo, que precisa investir em políticas públicas de combate, quanto da população, que deve estar atenta ao acúmulo de água parada em casa.

Por que é tão difícil combater o mosquito?

O Aedes aegypti é um mosquito urbano, que vive no interior das residências ou a poucos metros das casas. Isso porque as fêmeas, únicas transmissoras de doença, precisam do sangue humano para fabricar seus ovos.

Nos anos 1960, menos da metade dos brasileiros moravam em cidades. Hoje, quase 90% estão em área urbana, e é desse ambiente urbano que o Aedes aegypti gosta.

Para sua proliferação, basta ter água limpa parada, como a água da chuva acumulada dentro de vasilhas. “O Brasil tem áreas de grande densidade populacional onde há muito resíduo espalhado, muito lixo com garrafas pet, sacos plásticos, copos descartáveis”, explica Érico Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Para alguns pesquisadores, outro fator que está ajudando o mosquito a espalhar os vírus da dengue, chikungunya e zika é o aquecimento global.

Como eliminar o mosquito?

A maior parte dos criadouros são encontrados em residências. Por isso, campanhas de conscientização da população costumam ser feitas em períodos de chuva. Além disso, agentes sanitários visitam imóveis para encontrar focos de larvas do inseto e exterminá-las com larvicidas e inseticidas mais potentes do que os vendidos no mercado.

Entretanto, entrar em imóveis particulares é um complicador. Muitos moradores não permitem a entrada dos funcionários públicos com medo de serem falsos agentes prontos para um assalto.

Outra forma comum de combater o mosquito é dispersar uma nuvem de inseticida – técnica popularmente conhecida como “fumacê”. Essa maneira, no entanto, não é muito eficiente, pois o componente químico tem de entrar em um espiráculo localizado embaixo da asa. Portanto, o inseto precisa estar voando, algo difícil se tratando de uma espécie que fica na maior parte do tempo em repouso. Além disso, a adoção de “fumacês” pode gerar mosquitos mais resistentes.

O País vem buscando usar as novas tecnologias para combater o mosquito. A maior aposta é o uso de mosquitos Aedes aegypti transgênicos, ou seja, cujo genoma é modificado em laboratório e pode promover uma população de mosquitos estéreis.

Testes com a espécie já estão sendo feitos, com resultados promissores. O mosquito transgênico, no entanto, ainda não é a resposta.

Outra possibilidade é a compra de larvicidas para uso em casa. Uma empresa lançou um produto que promete atrapalhar a proliferação dos mosquitos por meio do princípio ativo piriproxifen, que impede que as larvas se transformem em mosquitos. Mas a melhor solução ainda é a conscientização da população para evitar a criação de novos focos.

Algumas das medidas indicadas para combater a proliferação do Aedes são tampar os grandes depósitos de água, como caixas d‘água, reservatórios, tanques e piscinas que não são usadas com frequência, e não abandonar lixos e outros objetos, como pneus velhos e garrafas, em quintais ou nas ruas.

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