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Ali Klemt Perdeu os filhos porque é “p***”

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(Foto: Freepik)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Se você é mulher (ou ama ao menos uma!) não pode admitir isso! Nesta semana, encaramos uma das realidades mais duras que eu jamais imaginei ver na sociedade: uma mãe em luto, que teve os dois filhos assassinados pelo próprio pai, sendo julgada como prostituta por tê-lo traído – e, ao fim e ao cabo, gerado a morte dos próprios rebentos. Inacreditável. Um tribunal medieval estabelecido em pleno século XXI.

Se antes caçavam bruxas (que nada mais eram que mulheres diferentes), hoje, a sociedade segue jogando a responsabilidade na mulher que não anda na linha. No caso, estamos falando da linha tênue da moral social.

“Puta”, “vagabunda”, “rameira”. Apenas alguns dos xingamentos que recaíram sobre Sara, a mãe dos filhos do secretário de Governo da Prefeitura de Itumbiara , que estava viajando com o amante quando o seu marido resolveu se vingar da forma mais sórdida possível: matando os próprios filhos para puni-la pelo resto da vida infeliz, incompleta e dolorosa que lhe restará.

Ele, um assassino egoísta e desequilibrado, em um ato que vai contra qualquer instinto, deu um tiro em cada filho. Matou ambos. Um pai. Aquele que deve ser o Porto Seguro dos filhos. Aquele que deve lhes segurar a mão diante do medo. Aquele que é o super herói das suas vidas. Esse mesmo homem (homem???) executou os seus “pequenos”.

Ela, uma mãe adúltera. Sabe-se lá porque. Pode ser porque sofresse em silêncio em casa. Pode ser porque era safada mesmo e gostava de fazer sexo com outros homens. Pode ser porque era infeliz no casamento e tinha medo de sair da relação. Sinceramente? O motivo não me importa. Sabe por que? Porque não dá diferença alguma.

NADA NADA NADA justifica o ato de Thales, o assassino dos próprios filhos. Absolutamente nada. E eu gritarei, em nome de todas as mulheres que sofrem até diante da maior tragédia que pode recair sobre elas. Eu não admito que tentem inverter a culpa. Não admito.

Existe dor maior do que enterrar um filho?

Existe algo mais desumano do que enterrar dois?

Isso não é só machismo, mas, sim, uma inversão moral brutal. Traição pode ser falha moral. Porém, não se esqueça: homicídio é crime hediondo. E com requintes de crueldade, a meu ver, quando se trata de filicídio.

Adultos são responsáveis pelas próprias escolhas. Nenhuma mulher é responsável pelo descontrole emocional de um homem. Mesmo assim, o roteiro se repete: quando ele mata por “ciúme”, chamam de crime passional. Quando ela trai, chamam de causa.

Que fique bem claro: não foi culpa dela. Foi escolha dele.

E, assim, chego a outra conclusão inevitável: o quanto nos enganaram, por séculos, dizendo que somos “sexo frágil”. Que absurdo! Quantas mulheres foram abandonadas, traídas, desconsideradas. E carregaram os seus filhos, criaram-nos, seguiram em frente. Controlaram os seus impulsos mais profundos. Sobreviveram, apesar do “não”.

E transformar crianças em instrumento de vingança não é dor — é covardia. E tem nome e sobrenome: violência vicária. Porque, acredite, acontece muito mais do que imaginamos.

Ela, perdeu o que mais amava. Será julgada por essa gente doente que confunde debate sobre valores morais com a certeza da maldade enraizada.

Ele, o assassino covarde, jamais será julgado pelo Tribunal dos homens. Afinal, ele tirou a própria vida, depois de cometer essa barbárie. Me consola apenas saber que ele será, sim, condenado no tribunal de Deus.

Instagram: @ali.klemt

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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