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Política Saiba de onde veio o dinheiro do ministro Dias Toffoli, do Supremo, para investir em resorts avaliados em mais de R$ 400 milhões

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Desde 2007, Toffoli auferiu cerca de R$ 8 milhões, da remuneração oficial com base no limite fixado na Constituição. (Foto: Antonio Augusto/STF)

De onde veio o dinheiro do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para investir em resorts avaliados em mais de R$ 400 milhões, com um irmão padre e um irmão engenheiro, após ter ficado as últimas duas décadas sujeito ao teto constitucional, atualmente de R$ 46 mil? A indagação é feita País afora e reforçada pelo advogado Edgard Hermelino Leite Junior, com experiência em grandes processos do setor financeiro. Desde 2007, Toffoli auferiu cerca de R$ 8 milhões, da remuneração oficial com base no limite fixado na Constituição.

“Quando um empreendimento imobiliário-hoteleiro de grande porte surge formalmente vinculado a uma empresa de capital modesto, composta por sócios sem histórico empresarial compatível com investimentos milionários, a pergunta não é política, nem ideológica. De onde veio o dinheiro?”, indagou o advogado. E acrescentou:

“A pergunta não ofende. O que ofende é fingir que ela não existe. Quanto maior o cargo de uma autoridade, maior o dever de prestar contas. A Constituição é clara: todos são iguais perante a lei. Não há cláusula de exceção para ministros. Quem julga deve aceitar ser escrutinado com o mesmo rigor que aplica aos demais”.

De 2007 a 2009, Toffoli foi advogado-geral da União. Desde então, ocupa o cargo de ministro do Supremo. Nessas duas décadas, Toffoli tem salários submetidos ao teto constitucional. Esse montante somado no período, que considera apenas o pagamento do teto, equivale a cerca de R$ 8 milhões de remuneração, em valores nominais, segundo um levantamento  em dados públicos.

Na prática, o ministro pode ter recebido um pouco mais, porque nesse período houve pagamentos de verbas extra-teto, como férias e outros auxílios. Mas nada que signifique cifras milionárias.

Em 2007, o teto era de R$ 24,5 mil mensais, ou R$ 294 mil por ano. O valor foi subindo ao longo dos anos. Passou, por exemplo, para R$ 33,7 mil em 2015 (R$ 404 mil anuais) e R$ 46,3 mil em 2025 (R$ 555 mil anuais), quantia ainda em vigor.

Resorts

Os dois resorts da rede Tayayá, localizados no Paraná, que tinham entre os sócios uma empresa do ministro de Toffoli, são avaliados em mais de R$ 400 milhões.

A relação financeira entre Toffoli e Vorcaro passa pelo resort Tayayá. A Maridt, empresa do ministro, vendeu metade de sua participação societária de R$ 6,6 milhões na incorporadora e na administradora do hotel para o fundo Arleen que, como revelou o Estadão, tinha o pastor Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, como único sócio.

Essa cifra de R$ 3,3 milhões foi usada pelo fundo para comprar sua parte do controle da empresa junto a outros sócios. Mas o Arleen não comprou só essa participação. Adquiriu também uma parte do empreendimento. E declarou em suas demonstrações financeiras ter investido R$ 20 milhões no Tayayá.

Sócio

Na quinta-feira (12), o magistrado deixou a relatoria do caso Master na Corte, horas após ter admitido ser sócio anônimo da Maridt. O fundo e a família Toffoli foram sócios das duas empresas até 2025. Nos bastidores, tem dito aos pares que acumulou renda quando foi advogado, na iniciativa privada.

Entre os meses de fevereiro e julho do ano passado, os irmãos e o primo do ministro e o fundo de investimentos se retiraram da sociedade para vender suas participações nas empresas ao advogado Paulo Humberto Barbosa. Hoje, ele é o único sócio e dono do empreendimento. Mesmo sem participação direta no resort, o ministro ainda frequenta o Tayayá.

A sede da Maridt é a residência do engenheiro José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro. Uma casa de 130 metros quadrados cuja pintura e o piso estão desgastados pelo tempo sem manutenção.

Foi lá que a mulher de José Eugênio, Cássia Pires Toffoli, recebeu a reportagem do Estadão e disse: “Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa!”. Ela negou saber qualquer informação da Maridt. (Coluna de opinião do portal Estadão, por Roseann Kennedy)

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