Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 15 de fevereiro de 2026
Empresas e bancos brasileiros, além do Tesouro Nacional, iniciaram o ano com pé no acelerador na captação de recursos em dólar por meio de títulos (bonds) de dívida emitidos no exterior. Apenas nos 45 primeiros dias deste ano, organizações brasileiras já garantiram US$ 9,2 bilhões (R$ 47,8 bilhões) lá fora, alta de 95% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando, até 14 de fevereiro, foram captados US$ 4,74 bilhões.
O movimento aproveita a maior atratividade de mercados emergentes como o Brasil entre investidores internacionais, bem como de maior dificuldade de financiamento em reais, com a ainda alta taxa básica de juros no país (15% ao ano). Com o dinheiro do exterior, companhias podem fazer investimentos produtivos, pagar antecipadamente outros títulos emitidos lá fora próximos do vencimento ou reestruturar dívidas nacionais.
A tendência é que as empresas apertem o passo para aproveitar agora essa fonte de financiamento. De acordo com analistas de mercado, diferentemente de outros anos, as captações em 2026 devem ser menores do que o somatório de todo ano passado (US$ 37 bilhões), concentrando-se no primeiro semestre por causa da volatilidade no câmbio e na Bolsa que tem marcado os períodos eleitorais no país.
Em outubro, os brasileiros vão às urnas, e a disputa presidencial é o principal ponto de atenção dos investidores, em busca de sinais sobre a política econômica a partir de 2027. As projeções de captações no exterior em 2026 variam de US$ 25 bilhões a US$ 30 bilhões, com alta concentração nos seis primeiros meses do ano.
Tesouro
Na semana passada, o Tesouro Nacional levantou quase US$ 4,5 bilhões com a emissão de um título com vencimento em 2036 e a reabertura de um longo, para 2056. A operação soberana ajuda a formar parâmetros para as emissões de companhias brasileiras.
Entre as firmas que buscaram recursos recentemente no exterior estão a Azul, que captou US$ 1,38 bilhão para seu processo de reestruturação financeira nos EUA; a FS Bio, que terá US$ 500 milhões para seus projetos de biocombustíveis; a Sabesp, que vai aplicar pouco mais de US$ 1 bilhão em obras de seu plano para cumprir as metas de universalização do saneamento em São Paulo, como novos sistemas de coleta e estações de tratamento de esgoto. Também fizeram captações internacionais recentes bancos como Bradesco e BTG Pactual.
Captações no exterior costumam mesmo ocorrer em janelas de oportunidade. Elas variam de acordo com o apetite e a disponibilidade de capital no mercado americano, onde os títulos são vendidos. Apesar de aberta, analistas afirmam que a janela deste ano pode se fechar mais cedo por causa das eleições, que tendem a afastar os estrangeiros dos papéis brasileiros. As férias de verão no Hemisfério Norte, que costumam “esfriar” o mercado global no meio do ano, são outro motivo para o clima de “a hora é essa” que acelera emissões.
“Apesar de o primeiro mês ter sido volátil com o governo (de Donald) Trump (nos EUA), como a questão da (ameaça de invasão da) Groenlândia, que trouxe volatilidade, o mercado (internacional) sacudiu a poeira e voltou à atividade. A quantidade de recursos (disponíveis para títulos) se sobrepôs aos ruídos geopolíticos no primeiro mês do ano”, diz Miguel Diaz, diretor do Santander Brasil para a área de renda fixa externa.
Dinâmica
Para Gilberto Nakayasu, chefe da área de mercado de capitais de dívida internacional do Bradesco BBI, a atual onda de captação de dólares decorre do mesmo motivo que tem levado a Bolsa de São Paulo, a B3, a bater recordes sucessivos, superando em menos de dois meses todo o fluxo de capital estrangeiro do ano passado.
“Tem a questão do “Sell America” (movimento dos investidores globais de diminuir a exposição a ativos ligados à economia dos EUA). Não significa que estão vendendo tudo, mas deixando de comprar alguns investimentos de lá para comprar em outros mercados. E aí aparecem nomes alternativos com boa qualidade de crédito”, ele diz, apontando as companhias brasileiras que acessam esse mercado.
Diaz explica que a queda dos juros nos EUA reduziu a atratividade do título americano, considerado o mais seguro do mundo, abrindo espaço para que investidores busquem retornos maiores em mercados emergentes como o Brasil, inclusive enfraquecendo o dólar. O mercado espera dois cortes neste ano na taxa básica de juros dos EUA, para além dos três feitos no fim de 2025.
“No mercado de bonds, essa tendência vem acontecendo há algum tempo, com o investidor internacional procurando outros ativos por conta da diminuição do spread”, ele diz, referindo-se ao diferencial que empresas brasileiras têm de pagar em juros na comparação com o título do Tesouro dos EUA pelo maior risco. (Com informações do jornal O Globo)
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