Sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Por Gisele Flores | 25 de fevereiro de 2026
Antônia Scalzilli, presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, reforçou que a rastreabilidade e a intensificação são caminhos para agregar valor a carne.
Foto: DivulgaçãoNa 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, em Capão do Leão, a pecuária deixou de ser coadjuvante para assumir papel central. O painel “Lavoura de Carne: a nova Pecuária do Brasil” discutiu como a integração lavoura-pecuária pode se tornar alternativa concreta diante das pressões de mercado sobre arroz e soja.
Davi Teixeira, diretor da SIA Brasil e do Universo Pecuária, contextualizou: “Mesmo com a safra 2025/2026 se desenhando com boas produtividades em função das condições climáticas mais favoráveis, seguimos com pressão de mercado sobre o arroz e a soja, o que limita o resultado econômico das lavouras”. Para ele, a pecuária é uma “terceira via historicamente presente nas fazendas do Rio Grande do Sul” e precisa ser tratada com mais atenção por produtores e formuladores de políticas públicas.
A proposta é clara: sistemas integrados, com pastagens cultivadas e manejo intensivo, ampliam a resiliência das propriedades e melhoram o resultado econômico. Antonia Scalzilli, presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, reforçou que a rastreabilidade e a intensificação são caminhos para agregar valor e atender às exigências de mercado. Já Márcio Amaral, da Seapi, destacou que irrigação e sustentabilidade são pontos de convergência entre lavoura e pecuária.
Os dados apresentados mostram que, após quatro anos de crise agrícola marcada por estiagens e preços pressionados, a diversificação produtiva é mais do que uma estratégia: é uma necessidade.
Teixeira resumiu o espírito da Arena Pecuária: “É uma oportunidade de colocar a carne como produto de vitrine e engajar os produtores em rodas de debate. A Abertura da Colheita mostra a força da agricultura, mas a pecuária pode cada vez mais mostrar seu papel dentro desse grande sistema”.
O recado é direto: 2026 será um ano em que o campo gaúcho precisará olhar para além das lavouras. A “lavoura de carne” emerge como conceito capaz de reposicionar a pecuária não apenas como alternativa, mas como parte essencial da sustentabilidade econômica e produtiva das propriedades. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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