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Colunistas Lembranças que ficaram (58): um trem elegante e charmoso

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Tudo começou numa quinta-feira, dia 6 de dezembro de 1956, quando, por volta das 15h, chega à Ijuí o elegante, bonito, confortável e cheio de charme Trem Minuano, em sua viagem inaugural para Ijuí, direto de Porto Alegre, com escala para almoço em Santa Maria. Diferente do trem “Maria Fumaça”, ele só parava em cidades, passando direto por vilarejos, povoados e pequenas estações de telégrafo.

Quando chegou, o povo de Ijuí “não deixou barato”. Esperou o trem com pompa e circunstância. A Banda Municipal regida pelo Prof. Olivio Hermes, o Prefeito, alguns Vereadores, Comerciantes e Industriais de prestígio local e uma expressiva quantidade de povo lá estavam a postos e quando o trem parou na gare, bateram palmas, estouraram foguetes e a banda tocou. O Chefe do Trem, o Condutor e o Assistente ficaram surpresos e meio atrapalhados. Lembro que nesse trem veio uma moça de nome Maria Helena e tivemos o que na época se chamava um “namorico”, algo como um “summer love”.

Esse charmoso trem, composto de três carros, com 2 motores, um em cada frente, fabricados na Alemanha, foi até por volta de meados da década de 70, o meio mais rápido e muito mais confortável para viajar a Porto Alegre, enquanto então a nossa querida “Ouro e Prata” com pioneirismo, estoicismo, valentia, muita coragem e “acreditando que dava pra ser”, enfrentava estradas miseráveis, trepidantes, empoeiradas ou enlameadas, tipo “faça sol ou faça chuva”, com heroicos e consagrados motoristas, fazendo IJU/POA e POA/IJU inicialmente em 16, depois 14, depois 12, depois 10, depois 8 e finalmente em 6 horas, passando sempre a melhorar a medida que as estradas melhoravam.

Lembro-me que nós rapazes, nos sentávamos na praça lá pelo fim da tarde, especificamente, para ver o “Ouro e Prata” chegar ‘tocando aquele buzinaço’ e trazendo o Correio do Povo, do dia. Na praça tinha uma tenda de madeira de cor verde chamada “quiosque” de 2 por 3 metros e era o único lugar para se comprar o Correio do Povo. O ônibus tinha que passar na Praça pois a Rodoviária era, então, onde não é mais hoje em dia. Já o Minuano saía às 10h e chegava + ou – as 18 em PoA. De Porto Alegre ele saia as 08:00 e chegava às 15:00 em Ijuí. Mas você podia levantar, ir ao banheiro, ir ao bar, caminhar até o assento de um conhecido, bater um papo, tomar um drink e/ou fazer um lanche.

A linha do Minuano foi estendida para Santo Ângelo e depois chegou a Santa Rosa. Eu amava tanto o Minuano que nunca embarquei num Húngaro que, com a melhoria das estradas, não durou muito e foi desativado lá por volta de 1980.

Hoje parece que está acontecendo “um despertar” ferroviário. Tomara que dê certo. Nos anos que morei em São Paulo muitas vezes, quase todo mês, as vezes 2 vezes por mês, ao invés de usar a Ponte Aérea pro Rio, eu usava o então chamado TREM DE PRATA. Um trem noturno, de luxo, maravilhoso, muito usado pelos artistas que tinham medo de avião (encontrei muitos). Um vagão inteiro era só bar. Outro só restaurante (com toalha e vasinho de flor na mesa). Antes do jantar ia tomar um gin-tônica no bar, depois ia jantar, conversar e depois pra cabine dormir. Apesar de tudo, aqui no Brasil, tem uma linha diária de Trem de Passageiros, moderna, bonita e acessível que faz o percurso de Vitória a Belo Horizonte e BH/Vitória, conhecida como Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM),

Nos meus sonhos vejo, com saudades, ainda hoje, aquele lindo Trem Minuano chegando ou saindo da Estação e cortando o Rio Grande, pelos pampas, várzeas, loiros trigais, pelo planalto, serra e missões.

* Luiz Carlos Sanfelice – lcsanfelice@gmail.com

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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