Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de fevereiro de 2026
O dólar caiu 0,60% nessa quarta-feira (25) e fechou cotado a R$ 5,1246, no menor valor desde 21 de maio de 2024. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 0,13%, aos 191.247 pontos.
Os investidores reagiram a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao cenário político no Brasil. A Bolsa caiu pressionada pelas ações de grandes bancos, como o Itaú (0,79%), apesar da alta de 2,55% da Vale.
Nos EUA, Trump evitou mencionar a China em seu discurso sobre o Estado da União na noite de ontem, às vésperas de uma viagem a Pequim. No entanto, ameaçou o Irã e citou a operação que levou à prisão do venezuelano Nicolás Maduro. Trump também tratou de temas como inflação, tarifas comerciais e o desempenho do mercado de ações.
O discurso de Trump no Congresso ocorreu em meio à queda na aprovação do presidente. Aliados temem que os índices influenciem as eleições de meio de mandato.
Na agenda americana, os investidores aguardam o balanço da Nvidia, que será divulgado após o fechamento do mercado, em meio às incertezas sobre o setor de inteligência artificial. Também estão previstos discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
No Brasil, o Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado acima da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões. Também será divulgado o fluxo cambial semanal.
No campo político, uma pesquisa da AtlasIntel mostrou Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, com 46,2% e 46,3%, respectivamente, em meio à repercussão negativa do desfile da Acadêmicos de Niterói.
O resultado é visto por parte dos investidores como um sinal de possível alternância de poder em 2026. Na avaliação de agentes do mercado financeiro, uma mudança de governo poderia abrir espaço para uma política mais rigorosa de controle dos gastos públicos.
Nos negócios, o destaque ficou para as ações do Grupo Pão de Açúcar, que chegaram a cair quase 9% após a varejista apontar, em balanço, incertezas sobre sua continuidade operacional. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 572 milhões no quarto trimestre, acima das estimativas do mercado. Após uma recuperação parcial, os papéis encerraram o dia com queda superior a 2%.
Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, fez na terça-feira (24) o tradicional discurso do Estado da União, em tom combativo e com duração de cerca de 1 hora e 48 minutos – o mais longo já registrado nesse formato.
Ele enviou recados ao Irã, defendeu a influência americana no hemisfério ocidental e discutiu com parlamentares democratas sobre imigração.
A política externa teve destaque. Trump acusou o Irã de tentar desenvolver uma arma nuclear e afirmou que prefere uma solução diplomática, mas que não permitirá que o país obtenha esse tipo de armamento.
Ele também citou a operação que levou à captura do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, classificando a ação como uma vitória para a segurança dos EUA e como um novo começo para os venezuelanos.
Grande parte da fala foi dedicada à economia. O presidente exaltou os resultados de seu governo, disse que a inflação está em queda, que a renda das famílias cresce e que a economia se recupera.
Especialistas, no entanto, contestam a leitura oficial desses indicadores. Trump também afirmou que a produção de energia atingiu níveis recordes e criticou a gestão anterior, afirmando que assumiu o país em crise.
O presidente também atacou a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas impostas a outros países, incluindo o Brasil, com base em uma lei de emergência da década de 1970.
Ele classificou a decisão como frustrante e anunciou uma nova tarifa global de 15% sobre produtos importados. Segundo Trump, a medida poderia substituir parte do sistema de imposto de renda e reduzir a carga tributária dos americanos, além de ajudar a evitar conflitos internacionais.
A economia foi um dos principais focos do discurso, em meio à preocupação dos eleitores com o custo de vida. Uma pesquisa da Associated Press mostrou que 39% dos entrevistados aprovam a condução da política econômica do presidente.
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