Sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de fevereiro de 2026
Acelerar o processo de análise e votação nos legislativos nacionais dos países do Mercosul foi uma tática para lançar pressão sobre a UE.
Foto: ReproduçãoA presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta sexta-feira (27) que a União Europeia (UE) aplicará provisoriamente o acordo comercial com o Mercosul, que cria a maior zona de livre comércio do mundo.
O acordo depende da ratificação do Parlamento Europeu, que em janeiro decidiu remetê-lo ao principal Tribunal da UE para que analise se o pacto respeita os tratados do bloco.
“Nas últimas semanas, tive conversas profundas sobre esta questão com os Estados-membros e com os deputados. Com base nisso, a Comissão vai proceder agora à aplicação provisória”, afirmou em uma breve declaração à imprensa.
Mercosul
Na quinta-feira (26), Uruguai se tornou o primeiro país do Mercosul a ratificar o acordo de livre comércio com a União Europeia, após aprovação do tratado por completo no Poder Legislativo. A Argentina foi o segundo, com aprovação pelos senadores em Buenos Aires.
A Câmara de Deputados uruguaia deu aval ao acordo, por 91 votos favoráveis e 2 contrários, em votação realizada em Montevidéu. O acordo já havia sido aprovado na véspera pelo Senado do Uruguai de maneira unânime.
O governo de Yamandú Orsi deve promulgar o acordo de forma breve. O chanceler Mario Lubetkin acompanhou da galeria a votação parlamentar em Montevidéu.
Em Buenos Aires, o acordo comercial provisório recebeu o aval dos deputados no dia 12 de fevereiro. O acordo recebeu 203 votos favoráveis, 42 contrários e 4 abstenções. Os senadores aprovaram a proposta, com apoio da base do governo Javier Milei. Foram 69 votos a favor e 3 contra. A liderança governista pedia votação unânime, para mandar um recado ao bloco europeu.
Faltará apenas a votação ser concluída no Brasil, com votação no Senado, e no Paraguai para que o acordo esteja pronto para entrar em vigor em todos os países sul-americanos que o assinaram.
Salvaguardas
O Brasil, antes de levar o texto à votação no Senado, decidiu editar um decreto presidencial elaborado para contemplar setores do agronegócio que se insurgiram contra as salvaguardas à importação, criadas na Europa, e que podem suspender as tarifas preferenciais a uma lista de produtos sensíveis. O teor deve ser revelado nos próximos dias.
Na quinta, o Assessor Especial da Presidência, Celso Amorim, defendeu que se os europeus extrapolarem na aplicação de salvaguardas o Brasil responda com “reciprocidade”.
O acordo pode entrar em vigor bilateralmente, entre um país do Mercosul isoladamente e o bloco europeu, caso a Comissão Europeia também decida pela vigência provisória, uma prerrogativa que ainda não foi aplicada.
Acelerar o processo de análise e votação nos legislativos nacionais dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) foi uma tática para lançar pressão sobre a União Europeia, onde o procedimento se travou.
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