Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de março de 2016
Uma dúvida vem atormentando a presidenta Dilma Rousseff e assessores mais íntimos nos últimos dez dias: defender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicamente é consagrar algo como um abraço de afogados ou pode representar um renascer político das cinzas? Formulada por um dos homens mais próximos, seu escudeiro há mais de uma década, a questão divide corações e mentes da equipe da chefe do Executivo.
Os auxiliares com mais afinidade com Dilma do que com a corrente majoritária do PT apostam na primeira alternativa. Acham que a presidenta não pode se contaminar mais com possíveis erros do antecessor e que seu governo já tem problemas demais e popularidade de menos para se arriscar protegendo Lula.
Capitão do outro time, o da ideia de que Dilma pode renascer junto com Lula e que o afastamento seria mais fatal para ela do que para ele, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, obteve duas vitórias nos últimos dias. Emplacou o novo ministro da Justiça – o baiano Wellington Cesar – e conseguiu convencer Dilma a viajar para visitar Lula em São Bernardo do Campo (SP). Até então, ela havia falado apenas pelo telefone com o ex-presidente.
Por outro lado, nomes como o do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, defendem o afastamento. As ponderações não são apenas estratégicas. A presidenta tem vivido dias infernais no Palácio. Foi pega de surpresa em 23 de fevereiro com a prisão de seu marqueteiro, João Santana. Dias antes, o próprio Santana garantiu à Dilma que não seria preso e que ninguém acharia nada de errado em suas contas bancárias nem nas de sua esposa, Mônica Teixeira. Os dois estão na cadeia até hoje.
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