Segunda-feira, 09 de março de 2026
Por Redação O Sul | 9 de março de 2026
Os investigadores da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) responsáveis pelo caso do Banco Master vão priorizar os inquéritos sobre crimes financeiros envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro antes de começar a apurar as menções a políticos. Existe a preocupação de não ampliar excessivamente o escopo da investigação para não perder o foco inicial do caso, que era a suspeita de irregularidades na venda do Master ao Banco de Brasília.
Por isso, o vazamento de informações do celular do banqueiro – que haviam sido compartilhadas com a CPMI do INSS – causou desconforto entre os investigadores. Isso porque a divulgação antecipada de nomes de possíveis investigados pode resultar até mesmo na destruição de provas. Até o momento, não foi requisitado nenhum inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF) com foco em parlamentares ou outros políticos.
Os investigadores também avaliam que essa divulgação cria uma pressão externa sobre os órgãos de investigação, que devem se pautar neste momento, segundo eles, por uma atuação técnica e no tempo necessário para a colheita das provas. A meta é finalizar os primeiros inquéritos sobre crimes financeiros ainda no primeiro semestre deste ano.
A existência de troca de mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, também não está na mira da investigação no momento. A avaliação dos investigadores é de que as informações extraídas do celular de Vorcaro não fornecem, até agora, nenhum indício de crime por parte do ministro.
Uma das preocupações mencionadas é evitar erros cometidos por investigadores da antiga Operação Lava-Jato: ampliar demais as linhas de apuração, mirar políticos sem provas suficientes e gerar uma reação em cadeia contra as investigações.
Esse cronograma também pode mudar diante de um conjunto de fatores dentro da investigação. Um deles seria a possibilidade de o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, decidir priorizar alguma linha de apuração. Uma delação premiada de algum dos envolvidos, como do próprio Vorcaro, também poderia agilizar a entrada dos políticos na investigação.
Relação
Apesar da divergência que houve entre PF e PGR sobre a necessidade de prisão de Vorcaro e seus aliados, a relação entre os investigadores dos dois órgãos ainda é considerada boa e de confiança. As manifestações do procuradorgeral da República, Paulo Gonet, nos autos do inquérito marcaram uma divergência maior com o relator André Mendonça do que com a PF.
Os investigadores dos dois órgãos continuam atuando em conjunto nas apurações e trocando informações sobre o caso. Em uma das ações mais sensíveis realizadas pela PF, a entrega do relatório sobre as menções ao ministro Dias Toffoli, a PGR foi sendo informada dos passos da PF antes que o documento fosse entregue ao STF – e, nos bastidores, deu o aval ao procedimento.
Como o STF decidiu arquivar o relatório, porém, a avaliação dos investigadores é de que o assunto foi encerrado – salvo no caso de aparecerem novos elementos de prova. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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