Sexta-feira, 20 de março de 2026
Por Redação O Sul | 19 de março de 2026
O governo federal vê influência do bolsonarismo nas ameaças de greve dos caminhoneiros na última semana. Participantes negam.
O que aconteceu
– Motoristas têm usado o aumento de 18,86% no diesel desde o fim de fevereiro como principal argumento para a paralisação. A alta ocorre por causa da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que afeta o mercado global de petróleo. O movimento reflete o salto de 42,7% no valor do Brent, referência internacional para o petróleo, de US$ 72,48 para US$ 103,42, no período.
– O Planalto suspeita de intenções políticas em ano eleitoral. Governistas dizem que uma paralisação nacional impactaria ainda mais a inflação – que já deve ser abalada pela alta do petróleo (o aumento do combustível acaba repercutindo nos preços em geral) – e, consequentemente, aumentaria a crise para o governo.
– Segundo governistas, esta suspeita foi dada pela velocidade com que grupos reagiram. Interlocutores dizem que encontraram resistência imediata durante os diálogos com lideranças para debater reações possíveis com o objetivo de estancar a alta.
– Membros de diferentes ministérios dizem que, embora as associações não falem em movimento político, o viés de oposição “ficou claro”. Eles dizem não saber se há alguma liderança parlamentar ou partidária por trás das ameaças, mas argumentam que muitos alimentam a paralisação “em busca de benefícios eleitorais” para a direita.
– Petistas lembram ainda que a última ameaça de paralisação ocorreu após a vitória de Lula nas urnas. No fim de outubro de 2022, caminhoneiros autônomos fecharam rodovias de 25 estados e do Distrito Federal, questionando o resultado da eleição.
– Em reserva, acusam parte dos caminhoneiros de usarem as ameaças como “chantagem” – o que pode ter sido usado inclusive contra Jair Bolsonaro (PL). Em abril de 2021, a categoria ameaçou o então presidente, a quem sempre apoiou, também pela alta do diesel. Parte deste grupo, no entanto, aderiu a carreatas a favor do ex-presidente durante o 7 de Setembro daquele ano.
– Como outros movimentos, os caminhoneiros se tornaram um grupo político relevante. O deputado bolsonarista Zé Trovão (PL-SC), por exemplo, foi eleito em 2022, após os destaques das paralisações de 2018, durante o governo Michel Temer (MDB), e de 2021, em apoio a Bolsonaro.
Lideranças negam
Wallace Landim, o Chorão, principal líder a favor da greve, diz que a ameaça “não tem nenhum cunho político”. “Sou uma pessoa que não participa de nenhuma pauta política, nem para defender governo A ou B. Tanto é que, depois de 2018, várias pessoas chamaram paralisação e eu sempre fui contra, por ser movimento político”, disse o presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores). As informações são do portal de notícias UOL.
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