Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de abril de 2026
Principal alvo de uma operação sobre fraudes bancárias milionárias contra a Caixa Econômica Federal e outras instituições financeiras o empresário Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, tinha vida de luxo e costumava dar festas para cantores sertanejos, segundo o delegado da Polícia Federal de Piracicaba (SP) Henrique Souza Guimarães.
Em imagens publicadas nas redes sociais, o suspeito, conhecido como Ralado, ostenta carros de luxo e aparece também dirigindo em alta velocidade.
Houve uma tentativa de prendê-lo nesta quarta-feira (25), mas ele não estava em casa, no condomínio Terras do Imperador, em Americana (SP). De acordo com a PF, o dinheiro que o Thiago usava para ostentar vinha da atividade criminosa.
O delegado identificou que ele teria viajado para Angra dos Reis (RJ), onde outros dois suspeitos foram presos na operação. No entanto, Thiago e a esposa, que também possui um mandado de prisão em aberto, seguiam foragidos.
Operação Fallax
Ao todo, 15 pessoas foram presas na operação e outras seis permanecem foragidas, entre elas gerentes de bancos, contadores e “laranjas”, com mandados cumpridos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A lista conta, inclusive, com moradores de Limeira (SP) e Americana.
Segundo as investigações, o grupo utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para esconder a origem de recursos ilícitos.
Funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos em sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Depois, os valores eram convertidos em bens de alto valor e criptoativos, dificultando o rastreamento.
As fraudes investigadas podem alcançar valores superiores a R$ 500 milhões.
Papel no esquema
De acordo com o delegado, Thiago fazia toda a “orquestração” do esquema. Guimarães afirmou que o suspeito era uma pessoa “articulada” e conseguia cooptar pessoas para o crime.
“Era ele que fazia contato com os gerentes das instituições financeiras, que conseguia contato com as pessoas que iam emprestar os nomes para figurarem nessas empresas. Ele tinha contato com outras empresas legalizadas que atuam no mercado nacional. Ele fazia contato com essas empresas para ver se essas pessoas tinham interesse em criar empresas de fachada para conseguir valores nas instituições financeiras e alavancar os próprios negócios”, disse.
Segundo o delegado, pessoas eram pagas com “importâncias ínfimas” de R$ 150, R$ 200 para emprestar o nome. “Chegou a criar uma pessoa fictícia, que não existe. Foi criada no papel só para ser utilizada como laranja”, acrescentou.
Guimarães apontou, ainda, que Thiago também repassava empresas de fachada criadas por ele para facção criminosa.
“A investigação começou porque houve um compartilhamento de provas com a Justiça Estadual e passamos a analisar a função de Thiago no esquema. Foi então que surgiu toda essa gama de empresas que ele utiliza para outras pessoas, não só especificamente para a facção criminosa. Algumas pessoas que foram alvos de busca e de prisão também, que tinham essa facilidade de fazer esse acesso”, detalhou.
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