Quinta-feira, 09 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 8 de abril de 2026
O Irã voltou a suspender a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, menos de 24 horas depois do anúncio de um cessar-fogo na guerra lançada por EUA e Israel no final de fevereiro. A retomada do tráfego na área, por onde transitam 20% do petróleo e gás comercializados no planeta, é um ponto central do plano, mas Teerã creditou a decisão à nova série de ataques israelenses no Líbano.
De acordo com a agência Fars, duas embarcações passaram por Ormuz nesta quarta-feira, mas o local foi bloqueado mais uma vez depois da série de violentos bombardeios israelenses contra o Líbano, oficialmente voltados ao Hezbollah — grupo aliado de Teerã — mas que atingiram áreas densamente populadas onde a organização não está presente. Segundo o Ministério da Saúde, 89 pessoas morreram e 772 pessoas ficaram feridas.
Autoridades locais dizem que foram mais de 100 ataques em um intervalo de 10 minutos, e alguns descrevem um cenário parecido com a da devastação da Guerra Civil Libanesa (1975-1990). Desde o começo de março, Israel bombardeia o Líbano e dá passos cruciais para invadir e ocupar uma parte sul do país, deixando mais de 1,5 mil mortos e um milhão de deslocados internos.
Em comunicado, as forças navais e aeroespaciais da Guarda Revolucionária — que exerce o controle de fato do estreito — disseram que o novo fechamento demonstra que o Irã fala sério quando afirma ter “o dedo no gatilho” em meio ao cessar-fogo de duas semanas.
O bloqueio de Ormuz foi uma das principais armas do Irã na guerra, e causou um dos maiores choques do petróleo em décadas. Centenas de embarcações aguardam a autorização para a travessia, que agora está sob controle das autoridades militares iranianas. Um projeto em tramitação no Majlis, o Parlamento do Irã, adota a cobrança de um pedágio que pode chegar a US$ 2 milhões por navio. No plano de 10 pontos apresentado aos EUA, como ponto de partida para as negociações de paz, Teerã exige manter direitos sobre o trânsito naval na passagem.
No começo do dia, um representante do governo iraniano afirmou à agência Reuters que o Estreito de Ormuz poderia ser aberto até sexta-feira, quando começam as negociações entre EUA e Irã no Paquistão, em busca de um acordo definitivo. Contudo, como alertou o chanceler do país, Abbas Araghchi, as travessias ocorreriam em coordenação com seus militares — a Guarda Revolucionária ameaçou atacar qualquer embarcação que entrar na área sem autorização. Mais cedo, Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, e Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto do país, afirmaram a jornalistas “acreditar” que o estreito estava aberto à navegação.
Mais tarde, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã anunciou nessa quarta-feira (8) rotas alternativas para embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz, devido ao risco de minas navais. A informação foi divulgada pela agência iraniana ISNA. Segundo o comunicado, a medida foi adotada por causa da “situação de guerra no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz” e da possibilidade de minas na principal rota da região.
“Todas as embarcações que pretendem transitar pelo Estreito de Ormuz são notificadas de que, a fim de cumprir os princípios de segurança marítima e se protegerem de possíveis colisões com minas marítimas, devem, em coordenação com a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica no Estreito de Ormuz, utilizar rotas alternativas para o tráfego no Estreito de Ormuz até novo aviso (…).”, diz o texto. As informações são do jornal O Globo.
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