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Política Após um primeiro ano conturbado, o presidente da Câmara dos Deputados vive um momento de fortalecimento político em sua gestão, marcado pela aproximação com o governo

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Depois de um 2025 conturbado, Motta dá sinais de fortalecimento. (Foto: Câmara dos Deputados)

Após um primeiro ano conturbado, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), vive um momento de fortalecimento político em sua gestão, marcado pela aproximação pragmática com o governo e evidenciado pela demonstração de adesão interna na Casa, com o placar expressivo da eleição de Odair Cunha (PT-MG) para uma vaga de ministro no Tribunal de Contas da União (TCU).

Ainda há alguns desafios que Motta precisa enfrentar neste ano, como aprovar propostas que consolidem um legado do seu mandato: pautas como a reforma administrativa e a regulamentação da inteligência artificial seguem travadas, e o ano eleitoral dificulta o cenário de aprovação. No entanto, a avaliação de lideranças da Casa é que a gestão de Motta inicia uma nova fase.

“Havia uma expectativa de que eu pudesse aproveitar uma eventual fragilidade na candidatura do Odair, mas sempre optei por outro caminho. Conduzi essa eleição como se fosse uma eleição minha, pela marca do meu compromisso com os acordos feitos”, disse o presidente Hugo Motta ao jornal Valor Econômico. “O resultado acabou expressando um pouco dessa articulação e da força construída, e mostrou que a nossa participação foi importante no processo.”

Essa percepção ganhou impulso após almoço entre Motta e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana, interpretado por líderes como sinal de “afinamento” entre os dois. Na Câmara, a vitória do candidato do presidente da Casa para o TCU, que obteve 303 votos, foi atribuída majoritariamente à articulação pessoal de Motta. Ele fez corpo a corpo junto a bancadas e líderes para garantir o cumprimento do acordo construído ainda durante a sua campanha para assumir a presidência da Câmara. A votação era secreta, e diversos partidos lançaram candidaturas próprias, o que adicionou um desafio ao presidente da Casa.

Ainda que a vitória já fosse esperada, o placar surpreendeu até mesmo Motta. Embora parlamentares próximos a ele reconheçam contribuições do governo e do ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL), a avaliação predominante é de que Motta consolidou sua liderança e capacidade de coordenação, com um bloco de apoio próprio.

Apesar de algumas divergências com o Palácio do Planalto em pautas como a regulamentação dos aplicativos e o formato da tramitação da proposta sobre a escala 6×1, aliados avaliam que Motta tem conseguido conduzir a Câmara com equilíbrio, mantendo boa relação com o Executivo sem abrir mão da autonomia da Casa e de defender as posições do colégio de líderes.

Ele tem reforçado, por exemplo, a posição pela tramitação da discussão sobre a redução da jornada de trabalho por meio de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), mesmo com o envio, pelo Planalto, de um projeto de lei em regime de urgência. Com isso, tenta avocar o protagonismo da Casa no debate, evitando que os eventuais louros eleitorais recaiam apenas sobre o Executivo. O setor produtivo e economistas alertam para o risco de a proposta elevar a informalidade e reduzir a produtividade, o que poderia inclusive prejudicar a atividade econômica.

Se nos piores momentos de sua gestão uma recondução de Motta foi questionada – como nos dois episódios em que a Mesa Diretora foi ocupada por deputados, no ano passado – parlamentares ouvidos pelo jornal Valor Econômico avaliam que a maré ruim passou. A leitura é de que, em 2025, Motta encontrou dificuldades de se equilibrar em meio ao cenário de polarização.

Outro fator constantemente apontado como algo que atrapalhou Motta foi a sombra do antecessor, Arthur Lira. O ex-presidente da Casa ocupou protagonismo na relatoria do projeto que ampliou a isenção do Imposto de Renda e seguia sendo visto como muito influente nos rumos da Câmara com suas atuações nos bastidores. Lira mantém grandes poderes, mas o seu foco na campanha para o Senado tem suavizado os efeitos que a forte presença política do antecessor tinha sobre a imagem de Motta, avaliam interlocutores do atual presidente da Casa.

Nesse contexto, apontam lideranças, sua recondução ao comando da Casa permanece no horizonte, em razão da demonstração de unidade do arco de alianças que o elegeu. A disputa à Presidência da Câmara, no entanto, ainda pode ter intercorrências em um ano em que as eleições podem mudar a correlação de forças na Casa.

Além disso, enquanto define os rumos da pauta, Motta também intensifica as negociações para o pleito de outubro.

A aproximação maior com Lula passa pelas articulações na Paraíba. A sinalização de apoio do PT no Estado à chapa de Lucas Ribeiro (PP) – da qual Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Motta, é candidato ao Senado – tem contribuído para o alinhamento maior com o governo federal. Motta busca o apoio do presidente para a campanha de seu pai.

No entanto, o diretório nacional do PT ainda não se comprometeu com um apoio à chapa, afirmando que Lula poderá ter dois palanques na Paraíba. O outro é encabeçado pelo ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (MDB), que tem o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) na disputa pelo Senado ao lado de João Azevedo (PSB). O PT na Paraíba tem condicionado o apoio a Ribeiro a um espaço na chapa majoritária – e pleiteia a posição de vice. As informações são do jornal Valor Econômico.

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