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Colunistas Os pequenos milagres da vida

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O ser humano banaliza o que é essencial

Foto: Divulgação
A gente banaliza o que é essencial. (Foto: Divulgação)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Hoje foi um dia incrível… E, curiosamente, não aconteceu nada.

Nenhuma notícia urgente. Nenhum problema grande. Nenhuma corrida contra o tempo. Nenhuma ligação atravessada. Nenhuma tempestade. Só… paz.

E, talvez, seja exatamente isso que a maioria das pessoas desaprendeu a valorizar. A simples ausência de caos.

A gente cresce acreditando que a vida precisa ser intensa, cheia de acontecimentos, de conquistas grandiosas, de viradas cinematográficas. Como se o extraordinário fosse a única medida de uma vida bem vivida.

Mas essa não é a única verdade… Às vezes, o extraordinário está justamente no intervalo do silêncio entre um problema e outro.

Hoje eu olhei ao redor… e estava tudo no lugar. Geladeira cheia. Contas pagas. Saúde. Um teto seguro. Uma mãe por perto pra cuidar. Trabalho andando. Projetos vivos. Sonhos ainda de pé…

E sabe o que é curioso? Tem gente que chamaria isso de tédio ou rotina. Quando, na verdade, muitos dariam tudo para ter um dia exatamente assim.

A gente banaliza o que é essencial. E, pior, às vezes começa a correr atrás dos próprios problemas só para sentir alguma coisa.

Talvez porque o ser humano tenha essa estranha dificuldade de valorizar o que é constante. O fácil perde o brilho. O acessível perde o encanto. O que está sempre ali desaparece aos nossos olhos.

É como se a ausência de dor nos anestesiasse para a presença do bem. E aí eu fico pensando… Se a vida fosse perfeita o tempo todo, sem desafios, sem obstáculos, sem desconforto… será que a gente saberia viver?

Ou será que, como já se insinuou em experiências como o Universo 25, e até em metáforas da ficção como Matrix, o excesso de conforto acabaria nos levando ao vazio, à apatia, ao próprio caos?

Porque a verdade é uma só: a paz só tem valor para quem já conheceu o barulho. O descanso só faz sentido para quem já se cansou. E a tranquilidade só é percebida por quem já enfrentou dias difíceis.

Hoje foi um dia leve. Mas não é porque os desafios acabaram. Eles continuam ali, nos esperando amanhã.

O trabalho ainda precisa crescer. Os planos ainda precisam sair do papel. Os sonhos ainda exigem esforço. A vida ainda cobra movimento.

E, talvez, seja justamente isso que torna esse momento tão valioso.

Esse intervalo… Esse respiro… Essa pausa onde nada desmorona e tudo simplesmente… está.

Enquanto isso, lá fora, o mundo segue. Tem gente lutando. Tem gente caindo. Tem gente tentando sobreviver. Mas também tem gente sorrindo. Tem gente amando. Tem gente recomeçando.

E, em alguma janela por aí, alguém pode estar fazendo exatamente o que eu fiz hoje: parando por alguns minutos e percebendo que viver, por si só, já é um privilégio.

E é aqui que mora o milagre. Nos detalhes que ignoramos. Respirar… sem dor. Caminhar… sem dificuldade. Ouvir… sem esforço. Ver… sem limitação.

Tem gente que daria tudo por isso. Tudo…

E nós, muitas vezes, sequer percebemos. Reclamamos do que falta, ignorando o que temos.

Queremos mais, sem agradecer o suficiente pelo que já está em nossas mãos.

Talvez nosso maior erro não seja desejar crescer. É crescer sem consciência do simples. Porque a gratidão não impede a ambição. Ela apenas impede a cegueira.

Hoje eu estou em paz. Mas sei que amanhã virão novos desafios. E ainda bem.

Porque são eles que nos empurram, nos moldam, nos fazem evoluir. Mas são esses momentos de silêncio que nos lembram por que vale a pena continuar.

Então, ficam essas perguntas, daquelas que não gritam, mas ecoam: se tudo isso que você tem hoje desaparecesse amanhã, você teria vivido com a consciência de que já era abençoado? Ou só perceberia o milagre depois que ele faltasse?

E, mais do que isso: você já aprendeu a valorizar a sua paz ou ainda precisa perdê-la para entender o quanto ela valia?

* Fabio L. Borges, jornalista, cronista e poeta gaúcho

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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