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Brasil Dólar mais barato: impactos do conflito no Oriente Médio beneficiam o câmbio brasileiro

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País se encontra bem posicionado no tabuleiro global. (Foto: GAI Media)

A trajetória recente de valorização do real ante o dólar tem sido notável. Após cair cerca de 12% no ano passado, a moeda norte-americana aprofundou sua baixa no Brasil ao longo dos últimos dias e a cotação tem ficado próxima dos R$ 5 ou menos – à primeira vista, algo que surpreende em meio a um cenário econômico não exatamente favorável a esse tipo de trajetória.

Pouco desse fenômeno pode ser creditado a fatores domésticos, contudo. A maior parte deriva do próprio enfraquecimento do dólar no contexto global. A fragilidade da divisa dos Estados Unidos teve início no ano passado, com a política tarifária agressiva do presidente Donald Trump, incluindo confrontos com aliados tradicionais, o que reforçou nos demais países a necessidade de maior autonomia em defesa, tecnologia e cadeias de suprimento.

Esse ambiente abriu novas oportunidades de investimento além dos Estados Unidos, que haviam dominado os fluxos de capitais internacionais no período de 2015 a 2024). Nessa época, o peso do mercado acionário norte-americano nos índices globais apresentou elevção de aproximadamente 55% para quase 70%.

A reversão desse movimento pode continuar enquanto outras regiões se tornam mais atrativas, inclusive a América Latina, que se destaca na produção de matérias-primas agrícolas e minerais.

Frutos

O Brasil colhe benefícios desde o início da guerra no Oriente Médio, que interrompeu fluxos de petróleo e gás. O País tem a vantagem da distância geográfica do conflito e de ser fornecedor de baixo custo de diversos produtos primários.

A posição de exportador líquido de petróleo deve ampliar os superávits comerciais. Ademais, o enorme diferencial de juros atrai aplicações externas. Tais elementos até aqui suplantaram os problemas locais.

As incertezas orçamentárias persistem com a escalada da dívida pública, e o calendário eleitoral adiciona volatilidade política. Todavia, diante da busca por maior diversificação por parte de investidores internacionais, qualquer sinal de melhora fiscal à frente pode reforçar a tendência de valorização do real.

Tal movimento contribuiria para amortecer as pressões inflacionárias importadas (em combustíveis, fertilizantes e, indiretamente, alimentos). E também facilitar o trabalho do Banco Central.

A despeito de suas mazelas, o Brasil encontra-se bem posicionado no tabuleiro internacional. Aproveitar esse potencial favorável dependerá de ajustes que eliminem o risco de descontrole das contas públicas. Sem isso, o vento externo favorável pode mais uma vez revelar-se efêmero. (com informações da Folha de S.Paulo)

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