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Política Técnica de enfermagem diz ter sido agredida pelo senador Magno Malta

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Malta nega as acusações e disse que reagiu ao sofrimento físico após erro da profissional, mas sem violência física. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Uma técnica de enfermagem acusou o senador Magno Malta (PL-ES) de agredi-la ao realizar um procedimento médico no congressista na quinta-feira (30), no hospital DF Star, em Brasília. Ela registrou boletim de ocorrência e disse que o parlamentar deu um tapa no rosto dela e a ofendeu. Malta nega as acusações e disse que reagiu ao sofrimento físico após erro da profissional, mas sem violência física.

O senador está internado no DF Star por causa de um mal súbito e passou por uma angiotomografia de tórax e coronariana, um exame de imagem não invasivo. O hospital é o mesmo onde está internado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que passou por cirurgia no ombro.

A técnica de enfermagem tem 27 anos e afirma que a bomba que deveria injetar contraste falhou, o que fez o líquido extravasar no braço de Malta.

“A vítima informou ao agressor que precisaria fazer uma compressão em seu braço, oportunidade em que o agressor se levantou do tomógrafo e, quando a vítima se aproximou para ajudá-lo, ele desferiu um tapa forte no rosto da vítima, chegando a entortar seus óculos”, diz um trecho do boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil do DF.

A mulher disse estar com medo e narrou ter deixado a sala imediatamente e chamado uma enfermeira e um médico, mas que o atendimento foi negado por Malta. Ela afirmou que o “rosto ficou dolorido e vermelho” e que há uma testemunha para corroborar sua acusação.

“A vítima relata estar com medo de encontrar o agressor após a ocorrência dos fatos narrados e acrescenta que também foi agredida verbalmente, sendo chamada de incompetente e de imunda pelo agressor”, conclui o boletim de ocorrência.

O senador nega que tenha agredido ou xingado a funcionária do hospital. Em nota, afirmou que ela “administrou o contraste de forma tecnicamente incorreta”, o que levou à “formação de trombose e expressivo hematoma, intercorrência de elevada gravidade clínica, com potencial de comprometimento circulatório e risco à integridade física”.

Malta disse que, “sentindo dores intensas, reagiu ao sofrimento físico e não à pessoa da técnica”, acionando imediatamente o médico responsável pelo acompanhamento.

“Em nenhum momento praticou qualquer ato de violência física contra a profissional, tampouco proferiu quaisquer palavras que não fossem meras exteriorizações de dor intensa”, diz a nota.

O senador afirmou que a técnica de enfermagem, ao fazer a denúncia classificada por ele como falsa, tem o “propósito de autoproteção frente ao erro técnico cometido”.

Ele diz que “a conduta narrada pela profissional não encontra suporte em qualquer elemento de prova, ao passo que o erro de procedimento por ela praticado está documentado pela própria evolução clínica”.

O hospital DF Star afirmou, em nota, que iniciou uma apuração administrativa e “vem dando todo o suporte à colaboradora que relatou ter sido vítima de agressão”. “A unidade também reitera que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades envolvidas na investigação do episódio”, disse.

No começo da tarde desse sábado (2), Malta disse que também registrou boletim de ocorrência, no qual nega que tenha agredido a profissional e pede apuração do caso.

“Em razão do quadro clínico, da dor aguda e do uso de medicação, o comunicante apresentou reação compatível com o sofrimento físico experimentado, sem, contudo, praticar qualquer ato de agressão física contra profissionais de saúde”, diz o relato do senador no boletim.

Malta relatou que foi surpreendido com o registro da ocorrência por parte da técnica de enfermagem e diz que “não houve qualquer conduta dolosa ou agressão deliberada, sendo eventual reação decorrente exclusivamente do estado de dor intensa no momento da intercorrência médica”.

O senador ainda requer preservação imediata das imagens das câmeras de segurança do hospital, oitiva da equipe médica, realização de exame de corpo de delito em seu braço direito, perícia em eventual objeto envolvido no episódio, como óculos da técnica, além da “devida responsabilização por eventuais abusos”.

A equipe de Malta afirmou que estuda pedir indenização por danos morais à técnica responsável e ao DF Star e oferecimento de notícia-crime pelo “delito de falsa comunicação de crime”. Além disso, avalia representar a profissional no Coren-DF (Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal).

Magno Malta tem 68 anos e está em seu terceiro mandato de senador. Ele foi eleito em 2002, reeleito em 2010 e eleito novamente em 2022. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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