Domingo, 03 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 2 de maio de 2026
Roupas, músicas, objetos, móveis, jogos, câmeras e até videoclipes podem carregar referências de outros tempos. Mas, embora muita gente use os termos “vintage” e “retrô” como se fossem a mesma coisa, eles não têm o mesmo significado.
Segundo a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Graziela Melo Vianna, artista e pesquisadora, a diferença está principalmente na época em que o objeto foi produzido.
“Antigo é o que foi produzido há mais de 100 anos. Vintage é alguma coisa que foi produzida entre 20 e 99 anos atrás. E retrô é algo produzido hoje, mas que recupera uma estética passada”, explica Graziela.
O que é vintage?
O vintage é aquilo que realmente pertence a outro tempo. Pode ser uma roupa, uma câmera, um disco, um móvel ou um acessório produzido décadas atrás e preservado até hoje.
No caso da moda, por exemplo, uma peça encontrada em brechó e fabricada nos anos 1970, 1980 ou 1990 pode ser considerada vintage. Para Graziela, essas peças carregam mais do que estilo. Elas também contam histórias.
“Eu adoro ir em brechó e conversar com donos e donas que sabem a história da roupa, por onde ela passou. Às vezes eu nem compro a peça, mas gosto de saber da história.”
O que é retrô?
Já o retrô é novo, mas inspirado no antigo. Uma roupa fabricada hoje, mas com modelagem ou tecidos que relembrem os dos anos 1930, 1940 ou 1950, por exemplo, é retrô. O mesmo vale para objetos, móveis, eletrodomésticos e produções culturais atuais que imitam ou reinterpretam estilos do passado.
“A minha roupa, por exemplo, é retrô. Foi produzida atualmente, mas recupera uma estética dos anos 30, 40 e 50”, explica a professora.
Moda também comunica
Para Graziela, a roupa é uma forma de identidade e comunicação. Ela conta que gosta de misturar referências antigas com elementos modernos e tecnológicos. “Eu amo esse cruzamento entre o que é moderno, o que é alta tecnologia e o que é antigo. Eu vivo nesse entre”, disse Graziela.
Por que o passado volta à moda?
Segundo a professora, esse movimento de resgate não é novo. Cada época costuma recuperar referências de tempos anteriores.
Na cultura pop, por exemplo, artistas atuais frequentemente buscam inspiração em cantores, videoclipes, figurinos e sonoridades dos anos 1990. Para ela, o retrô e o vintage ajudam a colocar o passado em circulação novamente, seja por meio de uma peça original, seja pela releitura de uma estética antiga.
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