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Política Lutador brasileiro Renzo Gracie, treinador e amigo de integrantes de famílias reais dos Emirados Árabes, diz ter orientado sheiks a não comprarem o Banco Master

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Renzo Gracie (D) junto ao Sheik Tahnoon Bin Zayed, conselheiro de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos. (Foto: Reprodução/Instagram)

Treinador e amigo de integrantes de famílias reais dos Emirados Árabes, o mestre de jiu-jitsu Renzo Gracie é sócio da empresa que intermediou a relação entre sheiks do país e o banqueiro Daniel Vorcaro. Seu CPF foi usado por um sócio para assinar um contrato em que a Fictor e uma gestora de fundos de investimento dos Emirados declararam manter interesse no Banco Master mesmo após sua liquidação pelo Banco Central.

Depois de semanas em silêncio sobre o assunto, ele resolveu falar com o Estadão. Chamou o banco de “lixo petista” e disse ter aconselhado investidores árabes a recuar nas negociações. “Já falei para cancelarem tudo.”

Gracie foi procurado pela reportagem no dia 15 de abril. Prometeu falar no dia seguinte e, depois, sumiu. No dia 27, o Estadão mostrou que o CPF do lutador consta no contrato firmado entre a Fictor e a gestora árabe Royal Capital, que estavam conversando sobre uma oferta conjunta para comprar o Master, mesmo depois da liquidação do banco.

O documento foi assinado digitalmente pelas partes. Quem intermediou o negócio foi o francês Eric Leandri. Como a lei brasileira obriga que o contrato seja assinado por alguém com CPF no Brasil, ele usou o registro de Gracie.

Gracie, Leandri e Ludgero são sócios na empresa Lerco Consulting, registrada em Abu Dhabi. No contrato entre a Fictor e a Royal para a compra do Master, o francês Leandri aparece como um representante da Lerco e assina com o CPF de Gracie. O trio detém participações similares na Lerco, de aproximadamente 33% cada.

Após novo contato com o lutador, Gracie finalmente falou sobre o negócio. Começou a conversa negando tudo, até conhecimento sobre seu próprio CPF: “Meu advogado quer processar vocês… Só uma pergunta, qual é o meu CPF? pois ninguém ali tem, e nem eu sei o número”, disse. “Sou Bolsonarista, não me confunde com petista, PSOL e o resto desse lixo”, emendou.

Gracie admitiu ser sócio da Lerco e deu sua versão sobre a tratativa da compra do Master. Apesar de um de seus sócios ter assinado o contrato e a empresa ter feito as negociações, ele afirma que foi contra o negócio.

“Quando me chamaram para perguntar se era um bom investimento comprar o Master, eu dei três telefonemas e já me avisaram que era um lixo… E já aconselhei a Royal Capital a não comprar ou se envolver nesse roubo. Eu já fiquei sabendo que não era nada mais do que outro golpe no nosso País. E já falei para cancelar tudo sem nem sequer precisarem confirmar”, disse o lutador, que não detalhou quando essas consultas ocorreram. “Já falei para cancelarem tudo. E foi exatamente o que eles fizeram.”

Gracie tem influência no mundo árabe. É amigo e professor do sheik Tahnoon Bin Zayed Al Nahyan, conselheiro de segurança nacional dos Emirados e conhecido por ter adquirido quase metade de uma empresa de criptomoedas de Donald Trump.

Somente Al Nahyan administra ativos que passam de US$ 1,3 trilhão. Foi Al Nahyan quem patrocinou eventos do MMA nos Emirados, com a presença de Gracie, que ajudou a popularizar o jiu-jitsu no país.

Comissão e lucros

O contrato pela aquisição do Master foi firmado pela Fictor, a gestora de investimentos Royal Capital e a Lerco Consulting, em dezembro de 2025, quando o banco havia sido liquidado e Vorcaro preso pela primeira vez. Não foi só o CPF de Renzo que foi usado para que um estrangeiro assinasse o termo. Um diretor árabe da Royal Capital tem sua assinatura digital atrelada ao CPF de Ludgero, o terceiro sócio da Lerco, além de Renzo e Leandri. Ludgero tem negócios e CPF no Brasil, apesar de ser português. Procurado pela reportagem, o executivo da empresa não se manifestou.

Se o negócio fosse consumado, a Fictor viraria dona do banco. Segundo o contrato, a Royal Capital, responsável por trazer dinheiro de fundos árabes, receberia lucros e dividendos do banco que seria originado da aquisição.

A Lerco atuou como intermediária da Royal Capital no contrato. A empresa de consultoria receberia 2,5% sobre o valor da aquisição do banco. Também consta que a Lerco receberia lucros e dividendos da holding que se propôs a adquirir o Master.

O negócio nunca foi consumado. A Fictor havia anunciado que adquiriria o Master em 17 de novembro de 2025, supostamente em parceria com investidores estrangeiros, como a Royal Capital. Naquele dia, Vorcaro foi preso. No dia seguinte, o Master foi liquidado.

Mesmo assim, a empresa procurou o Banco Central e informou que manteve interesse na compra do banco de Vorcaro. Poucos meses depois, em janeiro de 2026, a Fictor pediu recuperação judicial. A empresa justificou a crise com a alegação de que sofreu uma corrida bancária, com investidores sacando recursos de seus fundos, ao ser envolvida na crise do Master. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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