Domingo, 24 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 22 de maio de 2026
Um dos grandes trunfos dos festivais de cinema, para além dos prêmios e do glamour de estar entre a nata da indústria cinematográfica, é poder estar diante de novas e interessantes histórias. A porta de entrada para cineastas estreantes e promissores está justamente nas mostras competitivas e paralelas reunidas nesses espaços de celebração da sétima arte. Na mais recente edição do Festival de Cannes, a feliz surpresa desse ano pode estar num épico gay dirigido por uma dupla de diretores espanhóis com um repertório artístico extenso, seja no audiovisual, nas artes cênicas, e no teatro.
O casal Javier Ambrossi e Javier Calvo (conhecidos pela alcunha criativa de Los Javis) estreou seu segundo longa-metragem, La Bola Negra, na última quinta-feira (21) no Grand Théâtre Lumière diante de 20 minutos de aplauso no final da exibição.
A recepção calorosa ao drama de guerra por pouco não bate o recorde hoje ainda detido pela fantasia de ficção científica de Guillermo del Toro, O Labirinto do Fauno, que recebeu uma ovação de 22 minutos em 2006. La Bola Negra entra, porém, para a história do festival, conquistando o segundo lugar na lista de estreias mais aclamadas do festival.
Inspirada pela obra homônima inacabada de Federico García Lorca e adaptado diretamente da peça La Piedra Oscura, escrita pelo dramaturgo Alberto Conejero, La Bola Negra se expande por três linhas do tempo diferentes, acompanhando a história de três homens gays conectados pelos fios geracionais da memória, da paixão e da dor.
Com quase 3h de duração, o melodrama se passa entre os anos de 1930 durante a Guerra Civil Espanhola e o fascismo de Franco e o ano de 2017. A primeira trama acontece em 1932, quando um jovem de 20 e poucos anos chamado Carlos tenta ingressar num clube tradicional de uma pequena cidade de Granada, mas é recusado graças aos rumores de sua sexualidade.
A segunda segue a história de amor de um trompetista chamado Sebastían, recrutado pelo exército fascista após seu povoado ser bombardeado. Já a última se passa no século XXI, em 2017, no qual um jovem historiador chamado Alberto tenta reconstruir a memória da família a partir de um documento deixado pelo falecido avô.
O drama conta ainda com a participação especial de Penélope Cruz e Glenn Close, amarrando uma trama que discute as paixões que permanecem enterradas e esquecidas no passado.
La Bola Negra está concorrendo ao prêmio principal do Festival de Cannes, a Palma de Ouro. As informações são do site Adoro Cinema.
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