Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Tatiane Dias Scotta | 26 de maio de 2026
O amor maduro exige a generosidade de sair da nossa zona de conforto para entregar o que o outro realmente precisa para se sentir seguro
Foto: DivulgaçãoEsta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Se você precisou de mais do que três segundos para pensar nessa resposta, respire fundo. Você não está sozinho, mas talvez esteja gastando uma energia preciosa remando contra a maré do seu próprio relacionamento.
No meu consultório, atendo semanalmente casais exaustos. Pessoas que chegam ao divã com a dolorosa sensação de falência emocional. O desabafo é quase sempre o mesmo: “Sinto que faço de tudo pelo relacionamento, mas o outro simplesmente parece nunca se agradar”.
A verdade nua, crua e clinicamente comprovada é que, na maioria das vezes, o erro não é a falta de amor. É o tipo de linguagem que você está usando com o seu parceiro (a).
Baseando-nos na célebre teoria de Gary Chapman sobre as cinco linguagens do amor, Palavras de Afirmação, Tempo de Qualidade, Presentes, Atos de Serviço e Toque Físico, sabemos que cada indivíduo possui um canal principal para emitir e receber afeto. É maravilhoso conhecer a sua própria linguagem. No entanto, para a saúde e boa convivência do casal, é vital decifrar a linguagem do seu cônjuge.
O amor maduro exige a generosidade de sair da nossa zona de conforto para entregar o que o outro realmente precisa para se sentir seguro. Se elogiar parece bobagem para você, mas muda o dia dele: elogie. Se lavar a louça não te convém, mas alivia o estresse dela após um dia exaustivo: lave a louça. Se desligar a TV no jantar parece um sacrifício, mas traz a conexão que seu par tanto busca: largue o controle remoto.
Pare de fazer esforço na direção errada. Entenda de uma vez por todas: o amor não é o que faz sentido somente para você, é também o que faz o seu parceiro se sentir amado. Se você fala grego e ele fala mandarim, a mensagem se perde no ruído.
Veja como erramos o alvo no cotidiano sem perceber:
Na rotina de casa (Atos de Serviço vs. Toque Físico): Você passa o sábado limpando a casa para agradar, mas o que seu parceiro realmente quer é um abraço demorado no sofá. A casa brilha, mas o coração dele fica frio.
Em momentos especiais (Presentes vs. Palavras de Afirmação): Você compra um relógio caro no aniversário dela, mas o que ela mais esperava era um cartão escrito à mão dizendo o quanto ela é especial. O presente custou caro, mas foi vazio de significado.
Você pode passar a vida inteira comprando joias, mas se a linguagem do outro for Tempo de Qualidade, um passeio de mãos dadas no parque sem telas por perto valerá infinitamente mais. Olhe para o seu relacionamento atual e responda com honestidade: você realmente sabe o que faz seu parceiro feliz? Ou você está apenas oferecendo o afeto da forma que você gostaria de receber?
Para mudar esse cenário hoje mesmo, proponho uma tática simples de reconexão: observe os momentos em que seu parceiro mais sorri ou os favores que ele mais te pede. Ali está a chave do enigma. Comece a testar os canais. Mude a frequência do rádio.
Ver casais que escolhem crescer juntos é uma das maiores belezas do meu trabalho! Afinal, o amor verdadeiro não exige perfeição, exige tradução.
Vocês já sabem qual é a linguagem do amor um do outro?
* Tatiane Dias Scotta, psicóloga, sexóloga e palestrante
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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