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Economia Ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad defende a “taxa das blusinhas” mesmo após recuo de Lula: “Eu não mudei de opinião”

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O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) está em uma difícil campanha para o governo do Estado de São Paulo. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) está em uma difícil campanha para o governo do Estado de São Paulo, mas, fiel a seu estilo e orgulhoso de sua coerência, não teme seguir abraçando um tema impopular como a chamada “taxa das blusinhas”, a cobrança de imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50.

Fazia poucos dias que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha dito, no programa Sem Censura, da TV Brasil, que Haddad acreditava que a taxa, criada em 2024 e revogada agora em ano eleitoral, “realmente era uma coisa boa”, “para proteger a indústria nacional”, e que havia transmitido a ele essa “convicção”.

Haddad tinha errado na avaliação lá atrás, então? “Não mudei de opinião”, disse ele em entrevista à BBC News Brasil.

“Uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual”, diz, em consonância com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) – que afirmou, em abril, quando a medida ainda estava valendo, que foram preservados 135 mil empregos graças a ela – e com os governos estaduais, que mantiveram os impostos estaduais, o ICMS, sobre essas compras internacionais.

“Os governadores estão cobrando taxa de blusinha e ninguém vai perguntar para o Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo) se ele é contra ou a favor do ICMS que ele está cobrando.”

A mira contra o Tarcísio de Freitas (Republicanos) se repetiria muitas vezes na entrevista por motivos óbvios. Haddad quer convencer o eleitor de que é capaz de entregar um governo melhor que o do adversário em áreas como segurança, por exemplo.

Segundo levantamento realizado pela Quaest e divulgado no fim de abril, Tarcísio tem até 38% das intenções de voto para a reeleição, e Haddad, até 26%, dependendo do cenário, uma disputa considerada difícil.

Embora o período oficial de campanha não tenha começado, Haddad já está em campo, viajando pelo interior e visitando especialmente universidades.

Ainda não há definição sobre quem será candidato a vice na chapa do petista, algo que ele afirma que deve ser decidido “até dia 10, 15 de junho”.

Outro assunto ainda está para ser decidido, segundo ele, é de que forma o PT fará sua grande sucessão, uma vez que é provável que 2026 seja a última disputa eleitoral presidencial de que Lula participa.

Haddad é o único petista que já disputou uma eleição presidencial além de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff. Em 2018, quando o atual presidente estava preso, Haddad perdeu para Jair Bolsonaro (PL).

“Não dá para planejar desse jeito”, disse, ao ser perguntado se está preparado para receber o bastão de Lula. “Tem muita coisa para acontecer no Brasil.”

Mas, no fim, levanta uma possibilidade. “Imagina se tiver uma prévia no PT? Seria o máximo.”

O partido tradicionalmente realiza votações internas com seus filiados para decidir quem disputará governos municipais e, mais raramente, estaduais.

Nos 46 anos de história do PT, houve eleição prévia para presidente uma única vez, em 2002, quando o hoje deputado estadual Eduardo Suplicy manteve sua pré-candidatura e forçou eleições internas. Lula venceu com 84% dos votos contra 15% de Suplicy, sendo depois eleito presidente, pela primeira vez, naquele ano.

“Eu acredito que, se tivesse uma prévia no PT — e estou te respondendo assim porque nem sei se vai ter —, poderia ser um negócio muito bonito”, disse Haddad. As informações são da BBC News.

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