Quarta-feira, 03 de junho de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Colunistas Por que os adolescentes precisam conhecer a Amazônia?

Compartilhe esta notícia:

Os currículos escolares pouco retratam a geografia e a história de ocupação da Amazônia, o que deixa um vácuo na formação de nossos jovens. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Na década de 1970, um anúncio de carro, veiculado na TV, retratava um pequeno automóvel percorrendo um trecho da BR-230, uma cicatriz aberta no meio da floresta pela rodovia Transamazônica. Em outra cena, enormes tratores de esteira derrubavam árvores gigantescas para a abertura da dita “estrada da integração nacional”. O slogan da campanha era: “desbravando o inferno verde”.

Passados 50 anos, infelizmente ainda há muito reflexo deste ideal de ocupação da Amazônia, baseado em conhecimentos exóticos, de total desconhecimento e desrespeito às realidades amazônicas, principalmente nos meios políticos e empresariais. Isso porque é mais fácil destruir que conhecer, é mais fácil matar o desconhecido, do que aceitar novas perspectivas e novas formas de convívio com o ambiente natural.

Os jovens que não vivem na Amazônia e, também muitos dos que estão nas grandes e médias cidades amazônicas, pouco ou nenhum conhecimento têm sobre este extenso e rico território. Os currículos escolares pouco retratam a geografia e a história de ocupação da Amazônia, o que deixa um vácuo na formação de nossos jovens, que conhecem mais sobre os parques temáticos dos Estados Unidos e da Europa, do que sobre as maravilhas observadas, ao navegar os rios e igarapés amazônicos.

Embora, muitos devam trazer a Amazônia em seu imaginário, pois, invariavelmente, o noticiário relata acontecimentos infelizes, como garimpo em terras indígenas, tráfico de drogas e de animais silvestres, desmatamentos por atividades irregulares, perseguição e morte de lideranças comunitárias, de servidores públicos e de ambientalistas.

Por outro lado, o contato com a ambiente amazônico e o convívio com comunidades ribeirinhas e com os saberes tradicionais, provocam um choque cultural em quem tem esta oportunidade. Na Amazônia o ritmo é outro, e quem tem o privilégio de vivenciar tais experiências, se sente revivido e muda o modo de pensar e de agir.

É preciso perceber as belezas do ambiente amazônico, além de seus problemas e sua realidade da degradação ambiental, para saber discernir sobre que futuro queremos para a Amazônia e, por que não dizer, para o nosso planeta.

* Paulo Spínola – biólogo, analista ambiental e autor do livro “O Mistério do Povo Mamoé”.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Assembleia gaúcha aprova Comissão Especial de Combate ao Feminicídio
“8 paus”
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x