Sexta-feira, 05 de junho de 2026
Por Gisele Flores | 5 de junho de 2026
A Lau Center Ótica integra os 34,1% das empresas do setor que investem na ampliação dos negócios com abertura de novas operações no mercado óptico.
Foto: Divulgação Lau Center Ótica
Sondagem da Fecomércio-RS mostra que 60,8% das empresas não atingiram metas de vendas e 64,9% não pretendem investir, apesar de leve otimismo no curto prazo.
O varejo de óticas no Rio Grande do Sul opera em um cenário de crescimento travado, no qual a recuperação financeira não se converte em expansão de investimento nem em tração consistente de vendas. O setor combina demanda enfraquecida, crédito restrito e alta aversão ao risco, resultando em um ciclo de baixa confiança.
A sondagem da Fecomércio-RS, realizada com 385 empresas entre abril e maio, indica que 60,8% dos estabelecimentos não atingiram as metas de vendas nos últimos seis meses. O dado sintetiza um desalinhamento persistente entre expectativa e execução, mesmo em um ambiente de estabilização parcial da atividade.
Apesar disso, 60,2% dos empresários classificam sua situação financeira como boa ou muito boa. O contraste revela uma recuperação baseada mais em ajuste de custos e preservação de margens do que em expansão de receita. O ponto mais sensível, no entanto, está no investimento: 64,9% não pretendem investir, sinal claro de baixa confiança no ciclo futuro.
Segundo o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, o comportamento do consumidor segue como principal variável de pressão sobre o setor. “Vivemos um tempo desafiador, de taxas de juros elevadas e consumidor altamente cauteloso diante de um contexto de renda, na média, bastante comprometida com dívidas”, afirmou.
A leitura estrutural é de compressão do consumo discricionário em um segmento dependente de reposição e decisão não imediata de compra. Com famílias mais endividadas e crédito restrito, a postergação de consumo impacta diretamente o fluxo de vendas.
Os efeitos das enchentes de 2024 ainda aparecem como variável adicional. Mais da metade das empresas (57,7%) relata impactos diretos ou indiretos, enquanto apenas 31,1% afirmam recuperação plena. Entre os efeitos persistentes, destacam-se a redução de faturamento (70,6%) e a perda de clientes (52,9%), indicando recomposição incompleta da base de consumo.
No desempenho recente, 49,4% das empresas classificam as vendas como regulares. Apenas 29,4% avaliam como boas ou muito boas, enquanto o restante relata desempenho fraco. O quadro reforça ausência de tração suficiente para sustentar ciclo de expansão.
Mesmo com 54% dos empresários projetando melhora nas vendas nos próximos seis meses, o comportamento dominante é defensivo. O otimismo não se converte em decisão de investimento, e o setor permanece em modo de preservação operacional.
Na prática, a sondagem da Fecomércio-RS indica um varejo de óticas que resiste sem avançar. Há estabilidade financeira aparente, mas sem expansão, sem investimento e sem sinal claro de aceleração do crescimento.
O resultado é um setor que opera em equilíbrio frágil — sustentado mais pela contenção de custos do que pela força da demanda.(por Gisele Flores – Gisele@pampa.com.br)
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