Terça-feira, 09 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 9 de junho de 2026
A ação contou com o apoio das Polícias Civis do Mato Grosso e Rio Grande do Norte
Foto: Polícia Civil/DivulgaçãoA Polícia Civil gaúcha deflagrou, na manhã desta terça-feira (9), a Operação Interface para desarticular uma organização criminosa especializada em praticar estelionatos eletrônicos mediante a aplicação do golpe do “falso executivo”.
Foram cumpridos 60 mandados de busca e apreensão e 27 de prisão no Mato Grosso e no Rio Grande do Norte. Também foram realizados os bloqueios de todas as contas bancárias vinculadas aos alvos da operação. Seis criminosos foram presos. Os agentes apreenderam carros, motos, celulares, chips de celular e R$ 15 mil em espécie.
A ação foi conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas e contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas da Coordenação-Geral de Crimes Cibernéticos do Ministério da Justiça e das Polícias Civis do Mato Grosso e Rio Grande do Norte.
A organização criminosa casou um prejuízo de R$ 193,6 mil a uma empresa do setor industrial de Canoas. O esquema utilizava aplicativos de mensagens para se passar por executivos de empresas e induzir funcionários do setor financeiro a realizar transferências bancárias para contas controladas pelos criminosos.
O caso teve como uma das vítimas uma assistente financeira, funcionária de uma indústria, que acreditou estar recebendo instruções legítimas do presidente da empresa. A fraude ocorreu em 2025 e se tornou mais um exemplo da crescente sofisticação dos golpes corporativos praticados por grupos criminosos especializados em engenharia social.
De acordo com a investigação, no dia 5 de fevereiro de 2025, a assistente financeira recebeu mensagens de um número de telefone que exibia a fotografia do presidente da empresa. Como o executivo se encontrava em viagem e frequentemente solicitava pagamentos a fornecedores por meio de mensagens, a funcionária não identificou qualquer irregularidade.
Seguindo as orientações recebidas, ela realizou transferências bancárias para contas indicadas pelo suposto diretor. Os valores foram distribuídos entre diferentes destinatários. Somente dois dias depois, ao perceber que os pagamentos eram elevados e haviam sido solicitados em curto espaço de tempo, a funcionária desconfiou da situação. Ao verificar o número utilizado, constatou que não correspondia ao telefone verdadeiro do presidente da empresa.
A partir do registro da ocorrência, a investigação foi iniciada com a finalidade de identificar os responsáveis pelo crime. As diligências apontaram que o golpe foi executado a partir do Mato Grosso, especialmente da região de Cuiabá, local já conhecido pela incidência de crimes semelhantes, como os golpes do “falso intermediário” e do “falso parente”. Depois, os valores foram transferidos para outros criminosos, residentes em outro Estado.
As apurações revelaram ainda a existência de uma estrutura criminosa organizada, composta por diferentes funções. Entre elas, estão os chamados “conteiros”, pessoas que cedem suas contas bancárias para receber recursos provenientes de crimes, os “tripeiros”, responsáveis por recrutar esses titulares de contas em troca de comissões, e os gerentes do esquema. A investigação também identificou o executor e o articulador do golpe, indivíduos com vasta ficha criminal por delitos semelhantes.
Segundo a Polícia Civil, os investigados empregavam uma estratégia de pulverização financeira para dificultar a recuperação dos valores e o rastreamento dos recursos. O dinheiro era rapidamente fragmentado e transferido para dezenas de contas em diferentes Estados brasileiros, muitas delas vinculadas a instituições financeiras digitais de menor expressão no mercado. A técnica permite retardar bloqueios judiciais e dificulta a identificação dos verdadeiros beneficiários do esquema.
Segundo a delegada Luciane Bertoletti, esse tipo de golpe tem se tornado cada vez mais comum no ambiente corporativo brasileiro. “Os criminosos estudam a estrutura das empresas, identificam executivos e funcionários com acesso ao setor financeiro e utilizam fotografias, nomes e informações públicas para criar perfis falsos extremamente convincentes”, explicou.
A Polícia Civil alerta que empresas devem adotar protocolos rígidos de confirmação para qualquer solicitação de transferência bancária, especialmente quando envolver alteração de contas, pagamentos urgentes ou valores expressivos. A orientação é que toda movimentação financeira relevante seja validada por mais de um canal de comunicação e, sempre que possível, por contato direto com o responsável pela solicitação.
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Fiquem atentos, porque tem o falso médico, hoje marqui uma consulta em um hospital renomado, fiquei perplexa, quando fiquei sabendo q tal médico, não tinha registro no hospital, e na Internet não tem nada sobre ele!