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Economia Brasileiro recorre a empresas de apostas para pagar contas e endividamento dispara

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Em meio ao aperto financeiro, parte da população brasileira passou a ver nas bets uma possibilidade para complementar a renda. (Foto: Reprodução)

Em meio ao aperto financeiro, parte da população brasileira passou a ver nas bets uma possibilidade para complementar a renda e ajudar nas despesas do mês, transformando uma atividade de alto risco em estratégia financeira.

O fenômeno acende um alerta sobre o avanço da dependência das apostas, do endividamento (80,6% da população tinha alguma dívida em abril, um recorde) e da vulnerabilidade financeira, especialmente entre as camadas de menor renda. O cenário é preocupante.

Nos últimos meses, com as despesas domésticas mais apertadas por causa do aumento da inflação de alimentos e elevação da inadimplência das famílias, o número de apostadores que buscam no jogo online um rendimento adicional deu um salto.

Em maio deste ano, 35% dos apostadores em bets que viviam na cidade de São Paulo declararam que usavam plataformas online como um plano para aumentar a renda doméstica de maneira rápida, segundo pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A enquete ouviu 600 apostadores em jogos online.

Trata-se de um aumento de dez pontos porcentuais em relação ao resultado da mesma pesquisa realizada em 2024, quando as bets tinham acabado de ser regulamentadas. Dois anos atrás, 25% dos jogadores informaram que faziam uso das bets para fechar o orçamento doméstico.

O fenômeno é ainda mais pronunciado entre as classes de menor poder aquisitivo. Na população com renda de até dois salários mínimos (R$ 3.242), 40% apostam para elevar o orçamento doméstico, de acordo com a última pesquisa.

Essa fatia cai para 30% nas famílias com rendimentos mensais entre dois e cinco salários mínimos (R$ 3.242 e R$ 8.105) e para 29% no grupo dos que recebem entre cinco e dez salários mínimos (R$ 8.105 e R$ 16.210).

A tendência de procurar nas apostas esportivas uma renda extra é confirmada também por estudos qualitativos feitos pela empresa de pesquisas Hibou. Desde agosto do ano passado, foi detectado um movimento de apostadores procurando as bets para solucionar problemas do orçamento doméstico, segundo a sócia e CEO da empresa de pesquisa, Lígia Mello. “É aquela pessoa que tem hoje R$ 200 e uma conta de R$ 350 para pagar até segunda-feira. Ela pega R$ 50 e aposta, porque acha que vai (ganhar) e conseguir pagar a conta.”

No passado, um de cada cinco apostadores fazia esse movimento, segundo ela. Nos últimos dez meses, são dois a cada cinco apostadores. E as pessoas têm gastado mais com apostas esportivas a partir dos dias 18 e 20, quando a renda para fazer frente às despesas do mês acaba. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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