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Política Entenda a guerra que a deputada federal Erika Hilton desencadeou no seu partido, o PSOL, após criticar a divisão do Fundo Eleitoral

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Dirigentes e parlamentares travam uma batalha sobre renovação de quadros, sobrevivência partidária e o futuro da sigla após 2026. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

A disputa pela divisão dos recursos eleitorais para as campanhas deste ano abriu uma crise pública no PSOL e expôs divergências sobre os rumos da legenda às vésperas da eleição.

O estopim foi uma manifestação da deputada federal Erika Hilton (SP), que acusou a direção nacional de descumprir acordos políticos e adotar critérios que, segundo ela, colocam em risco candidaturas consideradas estratégicas para a sobrevivência da sigla. “Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, escreveu a parlamentar em uma publicação no X (antigo Twitter) que repercutiu entre militantes e integrantes do partido.

Na avaliação de dirigentes e liderança, a controvérsia ultrapassa a discussão sobre valores individuais. Em jogo está a estratégia do PSOL para superar a cláusula de barreira em 2026, mecanismo que restringe o acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda das legendas que não alcançam determinado desempenho eleitoral.

Reservadamente, um integrante da direção do partido afirmou que o PSOL corre risco real de enfrentar dificuldades para superar a cláusula caso enfraqueça candidaturas com forte capacidade de mobilização eleitoral.

Segundo esse dirigente, estados considerados decisivos estariam recebendo previsões de recursos inferiores às expectativas de lideranças locais, enquanto parte da militância questiona as prioridades definidas pela direção nacional.

“Estão propondo mandar apenas 100 mil reais para o Acre, onde temos 37 candidaturas”, alega o integrante do partido, que prefere não ter a sua identidade revelada. “Uma vereadora do Recife, pré-candidata a deputada estadual, mulher, negra, ambulante, única parlamentar do PSOL no estado de Pernambuco, vai receber 200 mil reais, enquanto no Sudeste os candidatos ultrapassam 1 milhão de reais”, afirma.

Em sua manifestação, Erika disse que o partido abandonou uma política interna que considerava critérios de gênero, raça e inclusão na distribuição dos recursos. A deputada também criticou a previsão de repasses para candidaturas ligadas à atual direção da legenda.

A parlamentar mencionou diretamente o ex-presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, pré-candidato a deputado federal e a recém-filiada Manuela d’Avila, pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, que afirmou que “o PSOL já se manifestou suficientemente”.

O vereador carioca Rick Azevedo, um dos principais rostos da campanha pelo fim da escala de trabalho 6×1 e pré-candidato à Câmara dos Deputados, afirmou que o partido corre o risco de repetir erros cometidos na eleição municipal de 2024. Segundo ele, candidaturas com comprovada capacidade de mobilização popular estariam sendo subestimadas pela direção nacional.

Um dos principais alvos das críticas, Juliano Medeiros respondeu publicamente à deputada. Em texto divulgado nas redes sociais, o ex-presidente do partido afirmou que Erika receberá o maior valor destinado a candidaturas proporcionais do PSOL em todo o país, cerca de 2,3 milhões de reais, e negou qualquer mudança nos critérios históricos de incentivo a mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência e integrantes da comunidade LGBT+.

Juliano também argumentou que a estratégia partidária busca combinar a manutenção da atual bancada com a renovação de quadros políticos, citando nomes como Manuela d’Ávila, Natalia Boulos (mulher do ministro Guilherme Boulos) e outras lideranças consideradas prioritárias para a legenda.

A direção nacional do PSOL afirmou que a proposta ainda será apreciada pelas instâncias partidárias e negou ter abandonado políticas de inclusão na distribuição dos recursos. Em nota, a legenda declarou que Erika será a candidatura proporcional com o maior investimento nacional do partido e reiterou que o objetivo central da estratégia eleitoral é ampliar as bancadas legislativas e contribuir para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Racha antigo

Por trás da disputa sobre cifras, porém, dirigentes reconhecem que o embate revela uma discussão mais ampla sobre o futuro do PSOL. Desde que o grupo liderado por Guilherme Boulos decidiu permanecer na legenda, em março deste ano, lideranças da corrente passaram a defender que o partido preserve nomes capazes de ampliar sua votação nacional.

A preocupação, segundo integrantes da própria sigla, é evitar que divergências internas comprometam justamente os quadros que podem ajudar o PSOL a atravessar com segurança o desafio da cláusula de barreira em 2026.

Na última eleição para a Câmara, o deputado mais votado da sigla e do País foi Guilherme Boulos, com 1.001.472 votos em São Paulo. Já Erika Hilton foi a nona mais votada do Estado (e a segunda do partido), com 256.903 votos. Sem Boulos na disputa deste ano (ele preferiu ficar no ministério), Erika é considerada a maior puxadora de votos do PSOL em São Paulo. (Com informações da revista Veja)

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