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Brasil A Polícia Federal indiciou o diretor-geral da Agência Nacional da Mineração por corrupção e outros crimes no setor

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Os dois casos são conduzidos pela PF e apuram corrupção e outros crimes do setor da mineração

Foto: Reprodução
Os dois casos são conduzidos pela PF e apuram corrupção e outros crimes do setor da mineração. (Foto: Reprodução)

A Polícia Federal (PF) concluiu duas investigações sobre um esquema de irregularidades no setor da mineração e, em uma delas, promoveu o indiciamento do atual diretor-geral da Agência Nacional da Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, sob acusação do crime de advocacia administrativa por suspeitas de favorecer interesses de empresários dentro da agência. Também foi indiciado um diretor da agência, Caio Trivelatto, por suspeita de corrupção.

O diretor-geral da ANM, Mauro Sousa, afirmou não ter conhecimento do “suposto indiciamento mencionado” e, portanto, não irá se manifestar sobre o tema neste momento. Trivelatto ainda não se posicionou. No total, a PF indiciou 34 pessoas no relatório final da Operação Rejeito e outras 17 pessoas no relatório da Operação Parcours. Os dois casos são conduzidos pela Superintendência da PF em Minas Gerais e apuram corrupção e outros crimes do setor da mineração.

Foram indiciados empresários do setor da mineração e agentes públicos de órgãos federais e estaduais. A PF diz que duas organizações criminosas foram montadas para cometer crimes na mineração, comandadas por empresários e constituídas também por agentes públicos cooptados. Além do diretor-geral da ANM, também foram indiciados, por exemplo, um ex-assessor do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o empresário Lucas Kallas, dono da Cedro Mineração, que já teve negócios com o banqueiro Daniel Voraro, dono do Master.

De acordo com o relatório, Kallas ordenou exploração de minérios pela mineradora Empraba em quantidade superior ao permitido e teria corrompido um agente público responsável pela fiscalização. Eles foram procurados, mas não se manifestaram.

“As investigações conduzidas no âmbito do Inquérito Policial, denominado OPERAÇÃO REJEITO, revelaram a existência de uma organização criminosa altamente estruturada, voltada à prática de crimes ambientais, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e falsificação de documentos públicos, com atuação direcionada à obtenção ilícita de licenças ambientais e autorizações minerárias em áreas de proteção histórica e ambiental”, diz trecho do documento.

No relatório da Operação Parcours, a PF aponta que encontrou diálogos de Mauro Henrique nos quais ele fornece ao empresário Luis Fernando Franceschini, da mineradora Empabra, informações sobre o andamento de processos de interesse da mineradora dentro da agência.

Um dos elementos citados pela investigação é que, em uma conversa com sua equipe jurídica, o empresário disse ter antecipado o teor de um ofício da empresa ao diretor-geral da ANM para solicitar orientações dele sobre o documento. “Estou revisando o ofício ANM agora. (…) Eu passei ao Mauro informalmente, para ver se ele teria alguma consideração”, escreveu Franceschini, no diálogo.

O empresário também pediu diretamente ao diretor-geral da ANM que uma manifestação da agência fosse emitida até um prazo solicitado por ele. “Será que conseguimos o parecer do Fabio Perlatti e Ronaldo até sexta dia 21/02? Teremos nessa data reunião em BH com Feam (Fundação Estadual de Meio Ambiente”, escreveu Franceschini em 18 de fevereiro de 2025, às 14h28.

Mauro lhe respondeu uma hora depois e justificou a demora: “Olá, mestre. Estava em reuniões seguidas. Vou encaminhar pro diretor Roger, que está coordenando o assunto”. Depois, Mauro confirmou ao empresário que a resposta sairia na data solicitada. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

 

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