Domingo, 28 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 27 de junho de 2026
Não existe um número exato que determine por quanto tempo as pessoas conseguem sobreviver presas nos escombros após um terremoto.
Para quem não consegue escapar de um prédio antes que ele desabe, as chances de sobrevivência dependem de uma longa lista de variáveis, incluindo: a gravidade dos ferimentos, o acesso a comida e água, a altura do prédio e a capacidade de respirar.
Autoridades da Venezuela estimam que centenas de pessoas ainda possam estar presas sob prédios que desabaram após fortes terremotos consecutivos ocorridos na quarta-feira. Organizações comunitárias locais e equipes de emergência na Venezuela uniram-se a famílias, vizinhos e desconhecidos nas buscas por sobreviventes, enquanto equipes de resgate adicionais de vários países correm para se juntar aos trabalhos.
As primeiras 24 a 48 horas após um terremoto são cruciais para encontrar sobreviventes, disse o Dr. Jarone Lee, professor associado da Harvard Medical School, que estuda e atua em respostas a desastres há mais de uma década. Outros especialistas sustentam que existe uma janela de tempo “de ouro” de 72 horas, período em que é possível salvar o maior número de vidas.
No entanto, a esperança pode, às vezes, persistir além desses prazos de referência. Dois irmãos turcos sobreviveram por cerca de oito dias sob os escombros antes de serem resgatados em 2023. Um terremoto na fronteira entre a Síria e a Turquia, naquele ano, matou mais de 50 mil pessoas, segundo estimativas das Nações Unidas.
“As chances de encontrar sobreviventes em um prédio que desabou após cinco a sete dias são pequenas, mas não impossíveis”, disse Lee.
Em alguns casos, prédios que desabam criam bolsões — ou “vazios”, como alguns pesquisadores os chamam — nos quais os sobreviventes ficam presos, mas não esmagados. Dependendo da disponibilidade de ar, água e comida, as pessoas podem sobreviver por dias ou até semanas, embora casos assim sejam incomuns.
Pessoas presas, mesmo que sem ferimentos, ainda correm perigo devido à exposição às intempéries ou à falta de comida e água. O ar carregado de poeira pode ser sufocante.
A Venezuela tem um clima relativamente quente, portanto, mortes relacionadas ao frio não são uma grande preocupação para as pessoas presas nos escombros, disse Ilan Kelman, professor que estuda desastres e saúde na University College London. No entanto, os recursos médicos na Venezuela — país que tem sofrido frequentemente com a escassez de produtos básicos nos últimos anos — já estavam sobrecarregados antes dos terremotos.
Para Lee, algumas mortes podem ocorrer logo após os terremotos, quando pessoas tentam resgatar familiares entrando às pressas em estruturas que ainda estão instáveis.
Outro grande risco para as equipes de emergência médica é a possibilidade de réplicas sísmicas. Com base em décadas de dados históricos, o Serviço Geológico dos EUA previu a probabilidade de ocorrer pelo menos uma réplica de magnitude 5,0 ou superior na semana seguinte.
A qualidade da infraestrutura é um fator determinante para a gravidade das consequências do desabamento de um edifício. As imagens de destruição vindas da Venezuela sugerem que muitos dos prédios que desabaram eram feitos de concreto frágil, sem o devido reforço de aço, disse Christian Málaga-Chuquitaype, engenheiro estrutural do Imperial College London especializado em resiliência sísmica.
Na avaliação de Kelman, mortes ocorridas durante terremotos são resultado de decisões políticas tomadas anteriormente, e não tragédias naturais inevitáveis.
“Terremotos não matam pessoas; o que mata é o desabamento de infraestruturas”, disse ele, ressaltando a importância de criar e fazer cumprir normas de segurança na construção civil, bem como de garantir que a população esteja preparada. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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