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Copa do Mundo 2026 Brasil chega à 2ª fase consolidando esquema que Ancelotti rejeitou no ciclo

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A mudança consolidou uma transformação silenciosa. O Brasil iniciou a Copa já com três meio-campistas. (Foto: Nelson Terme/CBF)

Antes da Copa do Mundo, Carlo Ancelotti repetia quase como um mantra que a seleção brasileira jogaria sempre da mesma forma. Quatro defensores, dois meio-campistas e quatro atacantes. A ideia acompanhou todo o ciclo, resistiu a questionamentos e até às primeiras baixas importantes por lesão. Mas bastou o torneio entrar na reta decisiva para que o técnico encontrasse justamente aquilo que evitou construir durante um ano.

Quando assumiu a seleção, Ancelotti ainda conhecia pouco o futebol brasileiro e as opções disponíveis. Não por acaso, a primeira convocação teve forte influência das pessoas que já trabalhavam na CBF. Aos poucos, ele foi moldando o elenco de acordo com suas convicções, sempre com um objetivo acima de qualquer outro: criar um ambiente em que Vinicius Junior tivesse o máximo de liberdade para decidir os jogos.

Essa ideia acabou determinando praticamente todas as escolhas do treinador. O sistema era fixo, ainda que dentro de campo a equipe variasse entre um 4-2-4 com a bola e um 4-4-2 na fase defensiva. Em termos de funções, porém, Ancelotti nunca abriu mão da estrutura com quatro atacantes.

A consequência apareceu até na montagem da lista para a Copa do Mundo. Foram nove atacantes convocados e apenas cinco meio-campistas. Durante todo o ciclo, o treinador ouviu perguntas sobre a possibilidade de testar outros desenhos táticos, mas a resposta era sempre a mesma: o Brasil jogaria com quatro defensores, dois meio-campistas e quatro atacantes.

A insistência tinha explicações. Ancelotti entendia que o Brasil continuava produzindo atacantes em abundância e acreditava que esse era o principal diferencial técnico da seleção. Ao mesmo tempo, via carência nas laterais. Por isso, transformou um zagueiro em lateral direito, primeiro com Militão e, depois da lesão do defensor, insistindo em alternativas como Ibañez, enquanto Danilo seguia como opção.

O problema é que o modelo não testava qualquer plano B. Bastaram as lesões de Militão, Rodrygo e Estêvão para que a estrutura começasse a mostrar suas limitações.

Mesmo assim, Ancelotti ainda insistiu na mesma ideia contra o Panamá. A única alteração foi trocar o perfil do lado direito, utilizando Wesley em vez de um zagueiro improvisado. O desempenho, porém, mudou quando o Brasil passou a atuar com três meio-campistas na etapa final. Internamente, o rendimento chamou atenção da comissão técnica. Também houve conversas entre líderes do elenco e o treinador defendendo um novo teste com essa configuração.

Ancelotti aceitou experimentar diante do Egito. Gostou do funcionamento da equipe com Lucas Paquetá reforçando o meio e Wesley aberto pela direita. O problema seguinte surgiu justamente por causa da própria lista de convocados. Com apenas cinco meio-campistas, as opções para sustentar aquele modelo eram reduzidas. Foi aí que uma lesão acabou mudando os planos. Wesley precisou ser cortado e, em vez de chamar outro lateral, Ancelotti convocou Ederson, reforçando justamente o setor que até então havia sido deixado em segundo plano.

A mudança consolidou uma transformação silenciosa. O Brasil iniciou a Copa já com três meio-campistas. Na estreia, Ancelotti tentou Igor Thiago como referência ofensiva, mas não ficou satisfeito. No segundo jogo, promoveu Matheus Cunha, deslocou Paquetá para a esquerda e Raphinha para a direita. Na terceira partida, manteve a estrutura, apenas substituindo Raphinha por Rayan.

Mais do que trocar nomes, o treinador encontrou um funcionamento que oferece maior controle do meio-campo sem abrir mão da velocidade pelos lados, algo que a comissão técnica passou a considerar fundamental para a fase eliminatória.

Agora, às vésperas do mata mata, Ancelotti chega à conclusão de que o time ideal é diferente daquele que imaginava durante praticamente todo o seu primeiro ano no comando da seleção.

“Estamos nos preparando para jogar o melhor que podemos. O nosso objetivo não é jogar bem, é ganhar. O técnico só é julgado se ele ganha ou não. Não interessa se a gente jogou bem ou não. Se ganharmos a Copa do Mundo, jogamos bem. Senão, jogamos mal”, afirmou o treinador. Com informações do portal Uol.

 

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