Quarta-feira, 01 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 30 de junho de 2026
O número de mortos na Venezuela causados pelo terremoto duplo subiu nessa terça-feira (30) para 1.943, segundo o governo venezuelano. A quantidade de feridos quase dobrou em relação ao último balanço e agora está em 10.571.
Segundo as autoridades, 6.461 pessoas foram resgatadas dos escombros com vida. O balanço foi divulgado pouco antes das 15h por Jorge Rodríguez, chefe do Parlamento do país e irmão da presidente, Delcy Rodríguez.
Uma estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que cerca de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas. Segundo o governo venezuelano, 12 pessoas foram encontradas sob os escombros.
Os danos causados pelos terremotos a residências, veículos e empresas têm uma estimativa preliminar de US$ 6,7 bilhões (R$ 34,68 bilhões), de acordo com uma avaliação por satélite feita pela na análise digital do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Seis dias após os terremotos que devastaram a Venezuela, as equipes de resgate seguem mobilizadas em busca de sobreviventes sob os escombros.
Com o passar das horas, cresce a preocupação entre as autoridades. Quanto mais o tempo passa, menores as chances de encontrar pessoas com vida entre os escombros. Especialistas em resposta a desastres afirmam que as primeiras 48 a 72 horas são decisivas para localizar sobreviventes. Depois desse período, as operações costumam se concentrar na retirada de cadáveres.
Na noite da última quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.
A dimensão do desastre vai além das áreas onde houve desabamentos. A Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência vinculada à ONU, calcula que mais de 6 milhões de pessoas possam ter sido afetadas pelos terremotos.
Enquanto escavam os escombros, socorristas enfrentam temperaturas elevadas e a necessidade de remover destroços manualmente. Relatos feitos por pessoas que acompanham o trabalho das equipes descrevem que o cheiro provocado pela decomposição dos corpos se torna mais intenso a cada dia.
La Guaira concentra a maior parte da destruição. O desastre também atingiu Caracas e Maiquetía, cidade que abriga o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo do país, ainda fechado. Em contrapartida, outros aeroportos internacionais, como o de Valencia, já retomaram as operações.
Foi apenas no domingo que missões internacionais de resgate começaram a chegar em grande número a La Guaira. Antes disso, moradores relataram frustração com a resposta das autoridades e afirmaram que boa parte dos primeiros socorros foi organizada por voluntários e pela própria população.
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se reuniu, nessa terça-feira (30), em Caracas, com a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, e com o ministro da Defesa venezuelano, Gustavo Gonzáles López.
“Estamos aqui irmanados neste momento difícil”, disse Monteiro a jornalistas, pouco antes de ser recebido por Delcy Rodríguez, com quem conversou sobre a forma como o Brasil pode ajudar a população e as forças venezuelanas de resgate e assistência.
“Evidentemente, a gente sabe que tudo é necessário, mas precisamos organizar esta ajuda a fim de que possamos participar mais”, comentou Monteiro.
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