Domingo, 05 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 4 de julho de 2026
Queda no uso de redes sociais por estudantes do ensino fundamental, recuo no uso da internet e da posse de celular por crianças de 10 a 13 anos e aumento da preocupação com privacidade ou segurança são algumas das tendências observadas em 2025 pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal (Pnad TIC), divulgada nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2019, 77,5% dos brasileiros entre 10 e 13 anos usavam a internet, patamar que subiu para 84,9% em 2024, depois da pandemia. Ano passado, o percentual caiu para 84,4%. Na média da população de 10 anos ou mais, no entanto, a tendência de crescimento se manteve: o percentual subiu de 79,4% em 2019 para 89,2% em 2024 e 90,5% em 2025.
O movimento foi semelhante entre as crianças de 10 a 13 anos com celular. A parcela dos brasileiros dessa faixa etária com aparelho celular era de 46,8% em 2019, ano imediatamente anterior à pandemia. Esse percentual saltou para 56,7% em 2024 e recuou para 55,2% no ano passado. Esta foi a única faixa de idade com queda na posse de celular entre 2024 e 2025.
A pesquisa mostrou ainda que, entre aqueles de 10 a 13 anos que não tinham celular, o principal motivo citado em 2025 foi a preocupação com privacidade ou segurança (32%). Na média dos brasileiros com mais de 10 anos, essa razão foi citada por 11,8%.
O IBGE também investigou o uso de redes sociais e observou que, ano passado, o uso de redes sociais entre estudantes (86,7%) era maior em comparação aos não estudantes (84,4%). O dado mostra, no entanto, queda entre os estudantes, já que o percentual nesse grupo era de 87,5% em 2024.
A retração reflete movimento observado entre os estudantes do ensino fundamental, tanto da rede pública quanto privada. O uso de redes sociais por estudantes do ensino fundamental na rede pública caiu de 79,2% do total em 2022, para 76,7% em 2024 e 74% em 2025. A tendência na rede privada é semelhante, com 80,1% em 2022, 76,9% em 2024 e 73,5% em 2025.
O movimento ocorre em ambiente de mais alertas sobre impactos negativos das tecnologias na concentração, na saúde mental e no aprendizado, especialmente entre jovens. O ano de 2025 foi o primeiro em que passou a valer por lei, em todo o país, restrição ao uso de celular nas escolas.
“Há preocupação cada vez maior nos últimos anos com a exposição de crianças a redes sociais e à internet. Em 2025, veio a lei com restrição do uso de celular pelas crianças nas escolas. Este ano, passou a valer o ECA Digital, cujas discussões começaram no ano passado. Tudo isso pode estar influenciando nos indicadores que vimos esse ano nos dados”, afirma o responsável pela pesquisa do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes.
Desde o início de 2025, uma lei do governo federal limita o uso de celular nas escolas das redes pública e privada do país. A legislação restringe a utilização durante aulas, recreios e intervalos, embora ainda seja permitido para fins pedagógicos com autorização do professor e para casos de acessibilidade, saúde e segurança.
Televisores
O IBGE também mostrou que as residências brasileiras experimentaram aumento de presença de televisores de tela fina, de sinal de televisão aberta, de “streaming” e de computadores e de tablets. Na pesquisa, os técnicos do instituto trabalharam com um universo de 80 milhões de domicílios particulares permanentes, acréscimo frente aos 78,3 milhões de 2024.
No ano passado, 75,1 milhões, ou 93,9% do total, tinham televisão; e 4,9 milhões não tinham o aparelho (6,1%). O cenário de presença do aparelho mostra avanço ante anos anteriores. Em 2024 havia 73,5 milhões lares com televisão (93,9% do total para aquele ano) e 4,5 milhões sem o aparelho (6,1%). E, em 2016, havia televisão em 65 milhões de domicílios, ou 97,2% do total para aquele ano.
Nos domicílios com televisão, 95% eram de tela fina em 2025, maior fatia desde 2021. Em números absolutos, o número de lares com esse tipo de aparelho passou de 68,6 milhões, em 2024, para 71,4 milhões, em 2025, aumento de 4%. Também cresceu em 1,4% o número de domicílios com recepção de sinal aberta, nos televisores, entre 2024 e 2025, um acréscimo de 907 mil, para 64,5 milhões de lares no ano passado.
Um aspecto também notado na pesquisa foi a tendência de queda, em percentual e em número, de domicílios com TV por assinatura. No ano passado eram 17,7 milhões de lares nessa condição, menor patamar da série iniciada em 2016. Em contrapartida, a fatia de domicílios com televisão e com acesso a serviço pago de streaming subiu de 43,4% para 44,4% de 2024 a 2025, um acréscimo de quase um 1,5 milhão de lares. (As informações são do Valor Econômico)
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