Segunda-feira, 06 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 6 de julho de 2026
Os advogados da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, encaminharam ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça um pedido para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste pelo arquivamento das investigações contra ela. Eles alegam ausência de “elementos concretos que apontem para a prática de qualquer irregularidade”.
Roberta esteve no centro de apuração da Polícia Federal (PF) que mirou o vínculo entre o lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em dezembro passado, a empresária foi alvo de buscas em fase da Operação Sem Desconto, que apura desvios em aposentadorias do INSS.
Na petição, a defesa de Roberta afirma que ela já esclareceu “a regularidade de sua atuação profissional e dos serviços prestados à empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, consistentes em estudos relativos à regulação do canabidiol no Brasil, pela qual recebeu remuneração regular, devidamente formalizada mediante a emissão das correspondentes notas fiscais.”
Os advogados da empresária dizem também que a relação dela com Lulinha é “estritamente pessoal e não guarda qualquer relação com os fatos investigados”. Afirma ainda que a defesa não teve acesso à integra do material analisado pela PF e que têm ocorrido “vazamentos seletivos” à mídia.
“Some-se a isso o fato de a investigação em relação à peticionária [Luchsinger] já ter esgotado seu objeto e o que se observa é a abertura sucessiva de novas linhas investigatórias que, à míngua de qualquer lastro probatório, avançam sobre a vida pessoal de Roberta e suas relações privadas configurando pescaria probatória”, diz a petição.
A empresária é representada pelos advogados Bruno Salles e Marco Antonio Chies Martins.
No documento, eles afirmam ainda que não se pode ignorar uma possível motivação política para a investigação por explorar a amizade de Roberta com Lulinha, que é filho do presidente Lula, candidato à reeleição.
“A peticionária não pode, contudo, ser arrastada para essa odiosa campanha difamatória apenas por sua amizade pública com o filho do presidente da República. Sua trajetória vem sendo rasgada e sua própria personalidade vem sendo deformada como mera ‘amiga’ de alguém. Alguém cujo impacto político poderá ser determinante para o processo eleitoral”, afirmará outro trecho do documento.
Na apuração sobre o esquema, a PF afirmou ter encontrado pagamentos de uma empresa ligada a Careca para uma companhia de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão.
Em mensagem apreendida pela polícia, o Careca do INSS pede a um operador que transfira R$ 300 mil a uma empresa em nome de Roberta. Ao ser questionado sobre o destinatário do dinheiro, ele responde que seria “o filho do rapaz”. A PF passou a investigar se a expressão se referia a Fábio Luís e se o filho do presidente seria um “sócio oculto” do lobista, o que os acusados negam.
Os recursos transferidos à empresária, ainda segundo a PF, tinham como justificativa serviços que não foram realizados. A defesa afirma que o trabalho foi comprovado. (Com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo)
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!