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Mundo Após quatro meses de sua morte, Irã sepulta Ali Khamenei enquanto o paradeiro do novo líder supremo do país, seu filho Mojtaba, continua desconhecido

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Imagem mostra multidão em procissão no funeral do aiatolá Ali Khamenei, em Mashhad. (Foto: Reprodução)

Após dias de cerimônias públicas, o aiatolá Ali Khamenei foi sepultado nessa quinta-feira (9) no santuário do Imã Reza, em Mashhad, sua cidade natal – sem a presença do filho e sucessor, Mojtaba, que não aparece em público desde que assumiu o posto de líder supremo, em março. Sob um calor escaldante, a multidão aguardava o caixão de Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, para a etapa final do cortejo fúnebre, que atraiu centenas de milhares de pessoas em luto no Irã e no Iraque.

A República Islâmica procurou apresentar o funeral como uma demonstração de força e unidade nacional, com tom de desafio aos Estados Unidos, que, em coordenação com Israel, lançaram os primeiros ataques contra Teerã naquele 28 de fevereiro.

Dezenas de milhares de pessoas se reuniram ao longo da avenida que leva ao santuário, o local mais sagrado do islamismo xiita no Irã, enquanto um caminhão transportava o caixão. Khamenei, que morreu aos 86 anos, será enterrado neste complexo majestoso — decorado com mosaicos de cerâmica multicoloridos e coroado por uma cúpula e um minarete dourados — ao lado da neta, do genro, da filha e de Zahra Hadad Adel, esposa de Mojtaba, todos mortos nos ataques de 28 de fevereiro.

A emissora estatal iraniana, IRIB, informou que a cerimônia de sepultamento foi “realizada com a presença de membros da família do líder (supremo)”, sem especificar quem. A notável ausência de Mojtaba já havia sido antecipada por uma fonte iraniana, que disse à rede americana CNN que a presença do líder no funeral do pai era “improvável”.

Desde o início das cerimônias, no sábado passado, em Teerã, não foi divulgada nenhuma declaração de Mojtaba. Também ferido durante os primeiros bombardeios, o líder de 56 anos se pronuncia apenas por meio de comunicados divulgados pela imprensa estatal. Mas, desta vez, nem isso, pelo menos até o momento. O paradeiro dele permanece um mistério.

A procissão começou horas mais tarde do que o previsto e ocorreu em meio a relatos de novos ataques entre os EUA e Irã. Autoridades iranianas afirmaram que as forças americanas atacaram pontes ferroviárias no nordeste do país, interrompendo o serviço de passageiros na rota entre Teerã, a capital, e Mashhad. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que, em retaliação, disparou 10 mísseis balísticos contra uma base americana na Jordânia, que foram interceptados. Os militares americanos, até o momento, não confirmaram nenhum novo ataque.

Segundo a companhia ferroviária nacional, a conexão entre Teerã e Mashhad, que fica a quase 800 quilômetros ao leste da capital, perto da fronteira com o Turcomenistão, foi suspensa após um ataque. O Irã classificou como um “crime de guerra flagrante”.

O funeral, portanto, aconteceu em um clima tenso. Muitos dos enlutados estavam lá desde antes do amanhecer, lotando ruas, mesquitas e o santuário de cúpula dourada. Alguns agitavam bandeiras com o retrato do aiatolá e carregavam enormes cartazes com slogans prometendo vingar seu assassinato.

Muitos iranianos viajaram em família e muitas crianças ficaram nos arredores do mausoléu. Diante de um hotel chamado Miami, uma enorme faixa exibe uma caricatura do presidente americano, Donald Trump, com uma recompensa oferecida por sua cabeça.

Com o aumento da multidão, voluntários e equipes de emergência jogaram água para tentar aliviar o calor intenso. Os participantes entoavam lemas religiosos para aguardar o início da cerimônia. A oração fúnebre foi presidida por Hossein Noori Hamedani, um aiatolá de 101 anos e figura importante do setor conservador da República Islâmica.

Perto do hotel, um homem caminhava com um cartaz que mostra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acompanhado da frase em inglês: “there will be blood” (“haverá sangue”). As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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