Sexta-feira, 10 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 9 de julho de 2026
O Rio Grande do Sul registrou no primeiro semestre o seu melhor resultado desde 2019 em vendas de veículos zero-durante o período. Foram emplacadas 89.144 unidades zero-quilômetro, dentre automóveis, comerciais leves, ônibus, caminhões, motocicletas e outras modalidades, conforme ressaltado pelo Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos (Sincodiv) em evento nessa quinta-feira (9).
Em relação ao mesmo intervalo no ano passado, houve crescimento de 2,65%. No acumulado de janeiro a junho, foram 13.560 unidades comercializadas, um avanço de quase 130%, com os elétricos (7.702) superando pela primeira vez os híbridos (5.858). No sexto mês, mais de 34% dos automóveis vendidos no Estado já eram eletrificados, contra cerca de 20% no Brasil.
O BYD Dolphin Mini, 100% elétrico, fechou o período como segundo carro mais vendido no mercado gaúcho, totalizando 2.216 unidades – apenas 73 atrás do campeão GM Tracker.
Automóveis de passeio continuam sendo o “motor” do mercado, com 47.127 unidades (alta de 9,3%), e junho registrou o melhor ritmo mensal (+25,64%). Já as motocicletas mantêm crescimento consistente (6,6%), impulsionadas por delivery e mobilidade urbana. Em contrapartida, os comerciais leves (-14,7%) e os caminhões (-21,7%) sentiram os efeitos da crise do agronegócio, embora junho tenha mostrado reação pontual, puxada pelo programa Move Brasil.
Presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) no Rio Grande do Sul, Jefferson Fürstenau enfatizou: “Encerramos o melhor primeiro semestre desde 2019. O consumidor voltou às concessionárias, novas tecnologias ganharam espaço e o mercado mostrou resiliência”. Ele projeta que o Estado pode fechar o ano com crescimento de 5%, chegando perto de 200 mil veículos vendidos.
Mas o ritmo do semestre foi mais lento que no cenário nacional: enquanto o Brasil avançou 16%, puxado por automóveis e motocicletas, o segmento cresceu em ritmo mais cauteloso. A estiagem e a retração do agro impactaram segmentos vitais, como caminhões e utilitários, reforçando a dependência da economia regional sobre a produção agrícola.
Além da questão econômica, pesaram os entraves estruturais: pedágios elevados e rodovias em más condições encarecem a logística e pressionam preços ao consumidor. A Fenabrave-RS defende concessões com tarifas justas e investimentos em infraestrutura como pré-requisito para a competitividade do setor.
O segundo semestre, tradicionalmente mais forte, traz expectativas positivas. A Expointer deve ampliar espaço para marcas e tecnologias. Além disso, novos programas de incentivo (como um possível “Move Brasil 3”), poderão sustentar a retomada.
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