Segunda-feira, 13 de julho de 2026
Por Fabio L. Borges | 13 de julho de 2026
Aprendemos que a felicidade só existe porque conhecemos a tristeza
Foto: DivulgaçãoEsta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
“Você gostaria mesmo de viver para sempre?”
É uma pergunta curiosa. A maioria das pessoas responderia imediatamente que sim. Afinal, ninguém deseja morrer.
Mas será mesmo que queremos viver eternamente… ou apenas temos medo de que a vida termine?
Curiosamente, enquanto alguns sonham com a imortalidade, outros perdem a vontade de viver ainda muito cedo.
Há quem diga, como eternizou uma música de Lobão, que prefere viver “dez anos a mil” do que “mil anos a dez”. A mesma vida que para alguns parece curta demais, para outros parece longa e pesada demais.
Talvez isso aconteça porque a vida nunca seja medida apenas em anos, mas em significado. Balzac dizia que a compreensão da vida começa depois dos trinta anos. Talvez ele tivesse razão…
Aos vinte, acreditamos que sabemos tudo. Aos trinta, começamos a desconfiar de que sabemos muito pouco. Aos cinquenta, olhamos para trás e percebemos quantos erros cometemos.
E, curiosamente, é justamente nesse momento que descobrimos outra verdade: sem aqueles erros talvez nunca tivéssemos nos tornado quem somos…
Com o tempo, deixamos de sentir raiva do passado. Passamos a compreendê-lo. Descobrimos que muitos dos fracassos que tanto lamentamos foram os mesmos que moldaram nosso caráter.
A vida vai nos ensinando que existe uma enorme diferença entre conhecimento e consciência.
Conhecimento é saber. Consciência é compreender. São coisas completamente diferentes…
Também aprendemos que a felicidade só existe porque conhecemos a tristeza. Que a coragem só faz sentido porque existe o medo. Que a paz só tem valor para quem já enfrentou suas próprias guerras.
Só quem viveu o inferno reconhece o silêncio como uma verdadeira bênção.
Então, volto à pergunta inicial. E se pudéssemos viver trezentos anos?
Será que continuaríamos amando com a mesma intensidade? Será que ainda nos emocionaríamos com um pôr do sol? Será que manteríamos a curiosidade da juventude?
Ou nos tornaríamos pessoas emocionalmente endurecidas depois de centenas de despedidas, decepções amorosas, perdas familiares e sonhos interrompidos?
Talvez a maior limitação do ser humano não seja o corpo. Talvez seja a alma…
Será que conseguiríamos carregar três séculos de lembranças sem perder parte da nossa humanidade?
A infância existe para descobrirmos o mundo. A juventude, para experimentá-lo. A maturidade, para compreendê-lo. E a velhice, talvez, para transformar tudo isso em sabedoria.
Quem sabe exista uma razão para cada fase chegar no seu tempo e partir no momento certo. Talvez a beleza da vida não esteja na possibilidade de viver para sempre, mas justamente na sua finitude…
É porque os dias são contados que aprendemos a valorizá-los. É porque os abraços não duram para sempre que eles se tornam preciosos. É porque sabemos que um dia iremos partir que procuramos deixar alguma marca em quem fica.
No fim das contas, talvez não tenhamos sido feitos para viver eternamente, e sim para transformar o tempo que recebemos em sabedoria…
E você, ainda quer viver para sempre?
* Fabio L. Borges, jornalista, cronista e poeta gaúcho
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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