Terça-feira, 14 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 13 de julho de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nessa segunda-feira (13) que não acredita que os Estados Unidos vão impor novas tarifas contra os produtos brasileiros. Questionado por jornalistas em um evento em São José dos Campos (SP), o presidente disse que “não vai ter tarifaço”.
A fala de Lula acontece dois dias antes da recomendação final do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre os produtos brasileiros. A decisão final caberá ao presidente Donald Trump.
A investigação do USTR questiona políticas do Brasil relacionadas ao comércio digital e ao Pix, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais e desmatamento ilegal. Com base nesse entendimento, o órgão recomendou a aplicação da tarifa como forma de compensar o que considera um desequilíbrio nas relações comerciais entre os dois países.
Na última semana, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a decisão sobre a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros será anunciada “muito em breve”. Segundo ele, apesar das negociações em andamento, Brasil e Estados Unidos seguem distantes de um entendimento sobre questões comerciais.
Em entrevista à Fox Business, Greer afirmou que o governo americano mantém conversas com representantes brasileiros, mas reconheceu as dificuldades para um acordo. “Tenho conversado com os brasileiros. Temos tentado negociar. Acho que ainda há uma grande distância entre nós. Por isso, vocês verão uma decisão final sobre o Brasil muito em breve, porque temos um prazo legal até 15 de julho”, declarou.
O presidente Lula afirmou que “a gente tem que brigar para fazer com que o mundo adote um outro modelo de combustível”. No discurso, realizado na manhã dessa segunda-feira (13), o petista mencionou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar sobre os combustíveis e chegou a dizer que o mandatário norte-americano não acredita na questão climática.
As falas de Lula ocorreram em agenda Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul (SP). O governo brasileiro entra em uma semana decisiva para a negociação de tarifas junto aos Estados Unidos. Os norte-americanos definem até a quarta-feira (15) se aplicam uma taxa de 25% contra o Brasil com base em investigação da chamada “seção 301”.
O presidente Lula decidiu reunir ministros na última sexta-feira (10) para definir a estratégia do Brasil para os últimos dias de negociação. De acordo com fontes no Planalto, pesam para a avaliação sinais negativos em reuniões com os norte-americanos, o histórico negocial da administração de Donald Trump, mas também as falas públicas recentes do chefe do USTR (Representante Comercial dos EUA), Jamieson Greer.
Na reunião, Lula decidiu seguir com a estratégia adotada até agora: manter a negociação técnica, mas não fazer concessões que na visão do governo brasileiro não se justifiquem. Isso significa que temas considerados caros pelos norte-americanos, como tarifas para o etanol, seguirão fora da mesa. As informações são da revista Carta Capital e da CNN.
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