Sexta-feira, 17 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 17 de julho de 2026
Estrutura estratégica visa reforçar a capacidade de resposta do país diante de emergências sanitárias e proteger o rebanho nacional.
Foto: Wenderson Araujo/CNA/DivulgaçãoEm meio às discussões sobre barreiras sanitárias impostas à carne brasileira por alguns mercados, o governo federal colocou em operação nesta sexta-feira (17) o Banco Nacional de Antígenos para Febre Aftosa, uma estrutura estratégica criada para reforçar a capacidade de resposta do país diante de eventuais emergências sanitárias. Durante a cerimônia de entrega, realizada em Garín, na Argentina, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que a iniciativa fortalece a credibilidade da defesa agropecuária brasileira e demonstra o rigor do país na proteção do rebanho nacional.
O banco armazenará antígenos, matéria-prima utilizada na produção de vacinas contra a febre aftosa, que poderão ser empregados caso o Brasil registre algum foco da doença. A estrutura integra o plano nacional de contingência após o reconhecimento, em 2025, pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), de que o país está livre da febre aftosa sem vacinação, condição considerada estratégica para manter o acesso aos principais mercados importadores de proteína animal.
Segundo André de Paula, a parceria com a Biogénesis Bagó foi firmada porque a empresa é uma das principais referências mundiais na produção de imunobiológicos para saúde animal e abastece importantes mercados internacionais. Para o ministro, a criação do banco de antígenos representa mais um avanço na consolidação do sistema brasileiro de defesa sanitária.
O ministro ressaltou que o reconhecimento internacional do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação foi resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de décadas por produtores rurais, governos e serviços de defesa agropecuária.
“O reconhecimento foi a coroação de muitos anos de esforço”, afirmou.
Restrições da UE
Questionado pela CNN sobre as restrições impostas pela União Europeia às exportações brasileiras de produtos de origem animal, André de Paula afirmou que a criação do Banco Nacional de Antígenos reforça o compromisso do Brasil com a sanidade animal e amplia a confiança internacional no sistema brasileiro de fiscalização.
“Ninguém se torna o maior exportador de proteína animal do mundo sem ser muito rigoroso”, disse.
Segundo o ministro, a defesa sanitária é um processo permanente de aperfeiçoamento para acompanhar as exigências dos mercados internacionais.
“Esse é um processo de evolução. Vamos trabalhar sempre com novas exigências e nos adaptar”, declarou.
André de Paula também informou ter recebido uma notícia positiva nesta sexta-feira: o Reino Unido mantém normalmente as importações de produtos brasileiros, apesar das discussões envolvendo parte do mercado europeu. O ministro reiterou a expectativa de que as divergências com a União Europeia sejam solucionadas por meio do diálogo.
Sobre as negociações envolvendo as cotas de exportação com isenção tarifária para o bloco europeu, André de Paula afirmou que divergências de interesse fazem parte das tratativas comerciais e demonstrou confiança em um entendimento entre as partes.
“É natural que existam conflitos de interesse. Para isso existem as negociações. Temos convicção de que somos capazes de construir uma solução que atenda a todos”, concluiu.
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