Quinta-feira, 23 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 22 de julho de 2026
A conquista da Copa do Mundo de 2026 pela Espanha, com vitória sobre a Argentina na decisão, vai além do segundo título mundial da seleção europeia. O bicampeonato coroou um projeto desenvolvido ao longo de mais de uma década, baseado em continuidade, formação de jogadores e uma identidade de jogo consolidada. Em contraste, a eliminação do Brasil nas oitavas de final para a Noruega reacendeu o debate sobre os rumos da Seleção.
A campanha espanhola oferece algumas lições que ajudam a explicar por que a equipe chegou ao topo do futebol mundial.
Identidade construída desde a base
A Espanha mantém há anos um modelo de jogo definido, que atravessa as categorias de formação até a seleção principal. O controle da posse de bola, a circulação rápida e a ocupação de espaços seguem como características da equipe, independentemente da geração.
Na Copa de 2026, esse modelo foi potencializado por jogadores como Lamine Yamal, Nico Williams e Pedri, que cresceram dentro dessa filosofia. O Brasil, por outro lado, chegou ao Mundial ainda em processo de adaptação ao trabalho de Carlo Ancelotti, alternando esquemas e sem um padrão consolidado de atuação.
O meio-campo como protagonista
Grande parte do sucesso espanhol passou pela qualidade de seu meio-campo. Rodri, eleito o melhor jogador da final, foi o principal responsável por controlar o ritmo das partidas, ao lado de Pedri, Dani Olmo e Fabián Ruiz.
Enquanto isso, o futebol brasileiro segue revelando atacantes e zagueiros de alto nível, mas enfrenta dificuldades para formar meias organizadores capazes de controlar o jogo e dar continuidade às ações ofensivas.
Defender também é ter a bola
A Espanha terminou a Copa com a defesa menos vazada do torneio, mas seu principal mecanismo defensivo foi a posse de bola. Ao controlar o jogo durante boa parte das partidas, reduziu as oportunidades dos adversários e evitou ser pressionada.
O Brasil contou com defensores experientes, como Marquinhos e Gabriel Magalhães, mas viu seu sistema defensivo ser exposto em momentos decisivos. A campanha espanhola reforça que a solidez coletiva começa muito antes da última linha.
Continuidade no comando técnico
Luis de la Fuente assumiu a seleção principal após mais de dez anos trabalhando nas categorias de base da Espanha. Conhecia boa parte dos atletas desde as seleções juvenis e participou diretamente da formação da geração campeã.
No Brasil, a escolha foi diferente. A CBF optou por Carlo Ancelotti, um treinador de enorme currículo no futebol europeu, mas sem histórico dentro da estrutura da seleção brasileira. Após a eliminação na Copa, a entidade decidiu manter o italiano no cargo até 2030.
O coletivo potencializa os talentos
Embora tenha contado com um dos jogadores mais talentosos da nova geração, Lamine Yamal, a Espanha não dependeu exclusivamente de suas individualidades. O desempenho coletivo foi a principal marca da equipe durante toda a competição.
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