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Colunistas Novo tarifaço EUA-Brasil exige cautela e responsabilidade

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Medida ainda poderá receber acréscimo de outros 12,5%, deverá atingir aproximadamente 18% das exportações. (Foto: Divulgação/Santos)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O governo do presidente Donald Trump colocará em vigor, na quarta-feira (22), um novo tarifaço de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida, que ainda poderá receber acréscimo de outros 12,5%, deverá atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, afetando principalmente setores industriais, produtos manufaturados e atividades do agronegócio.

Washington justifica a decisão alegando práticas comerciais consideradas desleais, falhas no combate ao trabalho forçado em algumas cadeias produtivas e a crescente aproximação econômica do Brasil com a China, vista como prejudicial aos interesses norte-americanos. Também fazem parte das divergências temas como a regulamentação das grandes empresas de tecnologia, questões ambientais, soberania nacional e decisões de instituições brasileiras.

Órgãos técnicos estimam que a nova política tarifária poderá causar prejuízos de aproximadamente US$ 7,4 bilhões às relações comerciais entre os dois países. O impacto só não seria maior porque carnes, café solúvel, aeronaves civis, couro, ferro-gusa e parte dos produtos farmacêuticos teriam permanecido fora da lista de sobretaxação.

Diante desse cenário, o governo brasileiro precisa reunir representantes da diplomacia, empresários dos setores diretamente afetados e lideranças de outras atividades que futuramente também poderão ser prejudicadas. É necessário elaborar, com responsabilidade e planejamento, medidas destinadas a proteger empresas, empregos, investimentos e a estabilidade da economia nacional.

Ideologias, eleições e projetos eleitoreiros não podem se sobrepor à gravidade da situação. O agravamento da crise comercial poderá provocar desemprego, aumento da inflação, retração econômica e dificuldades para milhares de famílias. A troca de acusações, agressões verbais e provocações públicas não representa governabilidade, mas irracionalidade política diante de um problema que exige prudência.

As divergências entre Brasil e Estados Unidos vêm se tornando cada vez mais preocupantes. As declarações contundentes de Trump e Lula dificultam o diálogo e aumentam as tensões entre duas nações que mantêm relações históricas há mais de dois séculos.

Mais do que adotar medidas de retaliação, os dois governos devem fortalecer seus canais diplomáticos, retomar as negociações e buscar soluções equilibradas. Preservar o comércio, os empregos e o desenvolvimento econômico deve ser prioridade, acima de qualquer disputa ideológica ou interesse eleitoral.

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo)

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