Sábado, 01 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 1 de agosto de 2026
Programa de governo do Missão tem quase 500 páginas e propostas que serão revistas e atualizadas anualmente pelo partido
Foto: ReproduçãoO candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, lança na tarde deste sábado (1º), em São Paulo, o “Livro Amarelo”, um programa de governo com quase 500 páginas, cujas propostas serão revistas e atualizadas anualmente pelo partido.
O evento é tratado internamente como a convenção “de fato” do partido, já que a legenda realizou, no fim de julho, a convenção que a legislação exige de forma virtual para oficializar a candidatura e, assim, garantir rapidamente a proteção da Polícia Federal para a campanha. Seus aliados relatam ameaças constantes a Renan.
O ato desta tarde ocorre em um centro de convenções na Mooca, zona leste de São Paulo, e tem ingressos vendidos entre R$ 94 e R$ 7 mil. São esperadas mais de 1.000 pessoas.
“A ideia é apresentar anualmente os pontos que ficaram de fora, fazer críticas ao livro do ano anterior e incorporar novas políticas públicas que o partido considere importantes”, disse o deputado federal Kim Kataguiri, coordenador do programa econômico de Renan. Ele conta que, no evento, também serão apresentados os candidatos do Missão aos governos estaduais — são nove ao todo, como mostrou a CNN nesta semana.
O partido rejeitou alianças e estruturou palanques em todos os estados, com candidaturas ao Senado e à Câmara dos Deputados. O candidato a vice, o tenente-coronel da PM (Polícia Militar) do Rio Grande do Sul Aroldo Medina, também estará presente.
O partido também vai aproveitar a dimensão do evento para tentar expor ao máximo uma de suas principais características: um forte antipetismo associado a um perfil contestador do bolsonarismo e da direita tradicional.
Quando questionados sobre o que os diferencia dos demais, dizem que não são “corruptos nem iletrados”, como consideram ser o bolsonarismo, nem subservientes ao bolsonarismo, como consideram ser os demais grupos da direita.
Para a coordenadora-geral da campanha, a vereadora de São Paulo Amanda Vettorazzo, a diferença do Missão para os demais é enfrentar pautas que os outros candidatos não enfrentam. “Nosso grande diferencial é essa organização toda, não ter medo das pautas difíceis e uma militância engajada”, disse.
É nessa linha que Renan Santos tem seguido, fazendo com que apareça em muitas pesquisas em terceiro lugar, à frente de nomes da direita tradicional, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). O candidato performa bem principalmente entre o eleitorado mais jovem e usa muitos instrumentos tecnológicos em sua campanha.
As ferramentas digitais também são combinadas com métodos tradicionais de campanha, como um intenso roteiro de viagens Brasil afora, com foco em cidades pequenas e médias.
Até agora, já foram visitadas mais de 120 cidades fora do estado de São Paulo, de onde é egresso o grupo que idealizou o partido ainda como MBL (Movimento Brasil Livre), o mesmo que liderou manifestações que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff.
“O foco não foi nas grandes cidades, mas em municípios menores e mais pobres, onde os eventos geram maior mobilização e curiosidade. A estratégia tem sido focar nessas cidades e falar dos problemas locais. Em cidades próximas, o discurso aborda temas da agenda nacional. O Renan fala dos problemas locais, reforçando o sentimento de pertencimento”, afirmou Kim.
O “Livro Amarelo” tem 452 páginas e detalha, por exemplo, o plano econômico de Renan Santos. Diz que, se eleito, “o primeiro ato será encaminhar para votação no Congresso uma PEC apresentada por Kim, batizada de ‘PEC do Equilíbrio Fiscal'”.
“O texto defende a desindexação de benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo (corrigindo-os apenas pela inflação), a desvinculação dos pisos de saúde e educação da receita, a revisão do abono salarial e a redução de renúncias fiscais (gastos tributários), com economia projetada de R$ 1,1 trilhão até 2031”, explica.
O nome do livro, aliás, é uma alusão ao “Livro Vermelho”, de Mao Tsé-Tung, e ao “Livro Verde”, de Muammar al-Gaddafi.
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