Domingo, 02 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 1 de agosto de 2026
A vice-presidente da Argentina, Victoria Villarruel, acusou o titular do cargo, Javier Milei, de espalhar “absurdos e invenções”. Ele também se disse preocupada “com o estado mental” do mandatário, de quem é desafeta há alguns anos.
Nesta semana, Milei retuitou na rede social “X” (ex-Twitter) um post da deputada governista Lilia Lemoine, afirmando que Marcela Pagano, deputada que rompeu com o partido do presidente, A Liberdade Avança (LLA, na sigla em espanhol), seria responsável pelas publicações de Villarruel na plataforma e acusando ambas de se aproximarem da oposição peronista.
“O presidente retuitou essa loucura desenfreada? Parece que esse delírio é contagioso”, respondeu a vice-presidente, que também é presidente do Senado argentino, na mesma rede social.
Posteriormente, em resposta a outro usuário do “X”, Victoria foi ainda mais incisiva: “Estou profundamente preocupada com o fato de o presidente da nação estar espalhando absurdos e invenções. Estou genuinamente preocupada com seu estado e com as perseguições imaginárias que ele espalha na Argentina e no exterior”. O presidente ainda não se pronunciou sobre esses comentários.
Presidente e vice romperam e trocaram farpas nos últimos anos devido a várias questões, como a tramitação de projetos no Congresso argentino e as declarações da vice-presidente sobre as Malvinas. Ele concorda com a reivindicação argentina pelo arquipélago, mas acredita que discursos agressivos dificultam as discussões sobre o assunto com o Reino Unido e em órgãos internacionais.
Na quinta-feira (30), o governo Milei publicou no Diário Oficial de Buenos Aires um decreto que prevê que cidadãos estrangeiros podem ser impedidos de entrar na Argentina ou expulsos caso fomentem “ódio” contra o país. Ele havia afirmado em entrevista, dias antes, que os governos do Brasil e do México, bem como o Partido Democrata dos Estados Unidos, estariam por trás de uma “campanha anti-Argentina”.
Entenda
Na Argentina, o presidente Javier Milei e sua vice-presidente, Victoria Villarruel, concorreram e foram eleitos em 2023 por meio de uma chapa única fechada e indissociável, exatamente como funciona no Brasil. Isso significa que o eleitor não pode votar apenas em Milei ou apenas em Villarruel; ao escolher a cédula da coalizão La Libertad Avanza, vota-se obrigatoriamente nos dois nomes apresentados para o Executivo.
Apesar da atual relação hostil — com trocas públicas de farpas, acusações de traição e divergências ideológicas profundas —, o sistema institucional argentino impede que um presidente destitua o seu vice ou vice-versa, forçando-os a governar sob um formato de “divisão de poderes”.
Por que eles se aliaram no período eleitoral? Durante a campanha de 2023, a união da chapa respondeu a uma clara estratégia de complementaridade política para atrair diferentes frentes da direita argentina: Javier Milei entrou como a figura antissistema, focada em reformas econômicas radicais, corte de gastos públicos e no discurso libertário contra a “casta” política.
Já Victoria Villarruel, advogada conservadora de forte apelo nacionalista, católica tradicional e com profundas ligações com a família militar e setores de segurança. Ela trouxe para a chapa um eleitorado de direita mais tradicional e focado em pautas de costumes e segurança pública, áreas em que Milei tinha menos tração.
Na Argentina, o vice-presidente exerce constitucionalmente a função de Presidente do Senado. Villarruel comanda as sessões legislativas de maneira autônoma, o que já gerou crises graves quando ela pautou e permitiu a aprovação de projetos da oposição que contrariavam o ajuste fiscal de Milei.
Embora exerça o papel de chefe de Estado interino quando Milei realiza viagens internacionais, Villarruel foi politicamente isolada pelo círculo central da Casa Rosada. Ela não possui funções ativas nos ministérios do Poder Executivo e tem focado na construção de sua própria agenda política de olho em futuras eleições.
(com informações do jornal “Gazeta do Povo”)
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