Segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 12 de agosto de 2026
A frota nacional de jatos executivos alcançou a marca de 11.362 aeronaves operacionais em maio deste ano, um crescimento de 8,5% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo divulgação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag).
A resiliência da aviação executiva, que mantém uma média de 600 novas aeronaves incorporadas anualmente à frota brasileira, é impulsionada tanto pelas longas distâncias do agronegócio quanto pela maior procura por altos executivos e celebridades, consolidando no país a segunda maior frota de jatinhos do do mundo, atrás apenas dos EUA.
É o que diz, em entrevista ao jornal O Globo, Flávio Pires, diretor-geral da Abag, que também lidera a Latin American Business Aviation Conference & Exhibition (Labace), principal feira anual de aviação executiva da América Latina, que será realizada de 4 a 6 de agosto em São Paulo. A previsão para o evento é de mais de US$ 150 milhões em negócios, um recorde em relação às edições passadas.
Nos últimos 12 meses, o aumento da frota de jatos executivos foi de 12,5%, totalizando 1.193 unidades operacionais. Na sequência, aparecem os aviões turboélices, com avanço de 7,6%, e os helicópteros a turbina, com 7,1%.
É uma mudança estrutural que reflete o amadurecimento do mercado corporativo de aviação, avalia Pires. Embora o agronegócio ainda responda por até 50% da demanda, novos perfis de consumidores, como atletas, artistas e influenciadores, entraram de vez no segmento em busca de privacidade e ganho de tempo.
Outro pilar desse avanço é a consolidação da regulação da propriedade compartilhada, que atraiu uma nova geração de empresários focados no custo-benefício e no uso inteligente desses ativos. Para suportar esse boom sem estrangular as operações, Pires explica que a infraestrutura de solo também passa por um momento virtuoso, com o surgimento de aeroportos regionais focados em turismo de luxo e uma segmentação estratégica dos terminais na capital paulista.
– A Labace, feira do setor, que acontece no início de agosto, em São Paulo, tem a expectativa de superar os US$ 150 milhões em negócios da edição anterior, o que sustenta esse otimismo? “A aviação de negócios tem colocado cerca de 600 aeronaves por ano no Brasil. É um patamar consistente e positivo. Como não fabricamos aeronaves de asa fixa para esse segmento, somos grandes importadores, e a Labace atua como o grande termômetro desse movimento. Hoje, a indústria lida com uma fila de espera de cerca de dois anos, então muitos negócios que começam antes são concretizados ou anunciados na feira. Esperamos um crescimento de 10% a 25% nas vendas, dependendo da categoria, impulsionado inclusive por antecipações de compra para o final do ano. É um reflexo real de um bom momento do setor, que também se traduz em empregos: cada aeronave nova gera, em média, 1,5 posto de trabalho direto.”
– Os dados recentes mostram que os jatos executivos tiveram uma alta de quase 15%, descolando da média geral de crescimento da frota (5,1%). O que explica essa aceleração? “O jato é o topo da cadeia e um excelente indicador da saúde da economia. O Brasil é continental e o agronegócio, onde circula muito dinheiro hoje, está indo cada vez mais para o Norte, em estados como Mato Grosso e Tocantins. O empresário precisa fazer viagens mais longas em aeronaves mais rápidas. Com o ganho de capital, ele migra do turboélice para o jato. Hoje, o Brasil tem a segunda maior frota de jatos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Ainda assim, os turboélices continuam fundamentais pela capacidade de pousar em pistas não pavimentadas nas fazendas.”
– Historicamente, o agronegócio é o grande fiador da aviação geral, respondendo por até 50% dessa demanda. Mas quais são os novos perfis que estão impulsionando os negócios desse mercado? “Vemos uma forte entrada de grandes estrelas do showbiz, influenciadores e atletas. Para cantores ou jogadores de futebol de ponta, a aviação executiva é a única forma de garantir privacidade e segurança contra o assédio em aeroportos comerciais, além, claro, do ganho de tempo. Virou uma ferramenta de trabalho essencial. E um ponto importante: o mercado mudou. Aquela imagem pejorativa de jatinhos sendo usados para lobby político, muito comum na época da Lava-Jato, ficou no passado. O setor no Brasil hoje é mais republicano e estritamente focado em negócios e produtividade.”
– Até que ponto a regulamentação da propriedade compartilhada de aeronaves foi o gatilho para trazer novos entrantes para o mercado? “Foi fundamental, a nova regulação sobre o tema deu a segurança jurídica que faltava. Antes, compras em condomínio geravam um risco enorme de responsabilidade civil cruzada. Hoje, temos a figura do administrador legal das cotas. Junto a isso, houve uma mudança cultural profunda: os empresários mais jovens são menos patrimonialistas. Eles aceitam compartilhar o ativo, pois focam na inteligência do custo-benefício. Para quem voa 10 ou 12 horas por mês, ter um avião exclusivo não faz sentido financeiro.” As informações são do jornal O Globo.
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