Domingo, 16 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 15 de agosto de 2026
Pouco mais de uma semana após a reunião do ministro da Justiça, Wellington César Lima, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a tensão entre a Corte e a Polícia Federal (PF) persiste. A desconfiança até aumentou, sobretudo no âmbito interno da PF, segundo relatos de delegados e agentes que apontam o silêncio eloquente das entidades de classe como demonstração desse mal-estar.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) não se manifestaram em defesa do diretor-geral, Andrei Rodrigues, nem da condução do inquérito do INSS na corporação.
Nos bastidores, integrantes das cúpulas dessas entidades avaliam que não foi identificado, até aqui, nenhum ato arbitrário de Mendonça que afete a independência das investigações. Por outro lado, um delegado com décadas de atuação na PF observa que desconfiar do diretor-geral internamente “é o esporte preferido da categoria”.
Esse descontentamento é recorrente devido à indicação política feita pelo presidente da República. No caso de Rodrigues, ressaltou, o desconforto é acentuado por sua ligação “extremamente próxima” com Luiz Inácio Lula da Silva.
Integrantes da própria corporação apontam pelo menos quatro razões para a crise. A mais recente foi a tentativa da PF de driblar a relatoria de Mendonça e distribuir novos inquéritos sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para sorteio geral do STF. Houve também a alteração na equipe responsável pelas investigações sem comunicação prévia e a determinação para que delegados cedidos retornassem à PF, o que poderia atingir Thiago Marcantonio, integrante do gabinete de Mendonça.
Acrescenta-se a isso o pedido inédito de Rodrigues para a Advocacia-Geral da União intervir contra determinações do magistrado no pleito pelo acesso integral à investigação. O chefe da AGU, Jorge Messias, demonstrou indisposição para entrar em atrito com o magistrado.
Algumas atitudes de Mendonça também geraram contrariedade. Ele determinou que qualquer troca na equipe seja comunicada previamente, cobrou relatório de atividades e exigiu a juntada do material bruto da investigação.
Mas a ala da PF alinhada a Rodrigues destaca outro fator como o mais preocupante: o fato de Mendonça ter sido indicado para o STF por Jair Bolsonaro (PL). Ao fim e ao cabo, tudo esbarra na desconfiança política. (Roseann Kennedy/Estadão)
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